Dom Quixote e o gigante do cientismo

Dom Quixote e Sancho Pança. Crédito: Wikimedia Commons

Dom Quixote e Sancho Pança. Crédito: Wikimedia Commons

As terapias alternativas e outros sinónimos são um termo muito vago que engloba um espectro de coisas que vão desde o plausível (p. ex. fitoterapia) até ao completo disparate (p. ex. o reiki ), e que envolve tanto coisas para as quais não existem evidências científicas de que funcionem (mas que podem até funcionar!), como também coisas que já foi demonstrado por diversas vezes não funcionar de todo (p. ex. a homeopatia). É provável que a grande maioria dos praticantes acredite genuinamente que aquilo que faz possui um efeito real e benéfico sobre os pacientes que tentam ajudar. Contudo, são normalmente crenças suportadas unicamente na experiência pessoal e na intuição, coisas que sabemos ser extremamente falíveis. Tanto praticantes como adeptos continuam a ignorar não só porque razão é necessário estudar melhor estas terapias, como também, porque razão não pode ser um tipo de estudo qualquer.

O Governo aprovou no dia 22 de Novembro uma proposta de lei sobre terapias alternativas, que dispõe que só podem ser praticadas por quem tenha formação superior e cédula profissional com um registo público. Uma aprovação que se segue a uma decisão de tribunal resultante de uma acção interposta por uma associação de terapêuticas não convencionais.

David Marçal escreveu um texto a criticar esta decisão por considerar que esta proposta de lei “induz o público em erro, levando as pessoas a pensarem que estas terapias têm uma validade equivalente à medicina convencional, o que não é verdade”. E como já sabe muito bem o que a casa gasta disse ainda que “os detentores destas “cédulas profissionais” ficarão na posse de um argumento que lhes permitirá dizer que o Estado reconhece a validade científica do seu trabalho. E isto não é verdade. A regulamentação é uma decisão política que resulta do cumprimento de uma decisão judicial ” .

Desidério Murcho, apesar de pensar que a homeopatia é “uma tolice para-religiosa”(1), achou que seria importante escrever um texto em “Em defesa da aldrabice porque de alguma forma entendeu, mesmo quando tal não consta escrito em lado algum, que David Marçal e outros estão a advogar que se proíba o direito de “praticar, ensinar, divulgar e consumir homeopatia”(1) assim como outras “crenças e estilos de vida muito diferentes”(1) não reconhecendo o direito destas pessoas a “sentirem-se tão realizadas e aceites quanto nós mesmos”(1). Afirmando que “É irrelevante que a homeopatia não cure pessoa alguma […] A única coisa relevante é haver pessoas que querem consumir homeopatia. Essas pessoas têm o direito de errar e é por isso que é irrelevante, para efeitos legislativos, saber se a homeopatia é “científica” ou não”(1). Prosseguiu depois a sua luta pela “liberdade de ser tolo, frívolo, boçal, irreflectido, anticiência, crédulo, ignorante”(2) que entende estar a ser oprimida por uma “mentalidade salazarista”(1), escrevendo mais dois textos (aqui e aqui) assim como vários comentários.

A primeira de muitas confusões de Desidério Murcho é pensar que alguém quer proibir estas práticas ou que esta lei é necessária para que elas possam ser exercidas. Estas práticas nunca foram proibidas, nem ninguém as quer proibir, mas sim apenas que todos tenham a oportunidade de tomar decisões informadas e por consequência realmente livres. Equiparar a medicina convencional a práticas terapêuticas não comprovadas é mau para toda a sociedade, porque valoriza um ideal de relativismo em detrimento da objectividade. Misturar cocó de cão num bolo de chocolate não faz o cocó de cão saber melhor, em vez disso estraga o bolo de chocolate para toda a gente. Quem queria comer ou vender cocó de cão sempre foi livre de o fazer, só não era livre de se fazer passar por pasteleiro, até agora…

Esta proposta de lei apenas vai gerar confusão numa área onde esta era já abundante, porque será utilizada por alguns como mais um instrumento de propaganda para promover terapias sem qualquer fundamento junto de uma população que não possui os conhecimentos científicos necessários para distinguir entre o plausível e a banha-de-cobra. Uma lei que faz tanto sentido como o Ministério da Educação regulamentar cursos de astrologia equiparando-os a cursos de astronomia, apenas porque os astrólogos não se sentem tão realizados e aceites quanto os cientistas que realmente estudam o Universo.

Numa sociedade livre não faz sentido proibir cidadãos adultos de tomarem as decisões que quiserem, mesmo que sejam irracionais, desde que não coloquem em perigo mais ninguém para além deles próprios. E isso é verdade. Mas é o pressuposto de que a questão é assim tão linear neste assunto que se torna na segunda grande confusão de Desidério. Fumar, por exemplo, é permitido a maiores de idade, mas existe uma lei que obriga os fabricantes a informar os consumidores dos riscos que correm caso decidam fazê-lo. Não creio que seja possível tomar decisões verdadeiramente livres com base em desinformação, seja ela propagada de boa ou má-fé. O que devia ser exigido era a identificação clara e inequívoca de todas as práticas terapêuticas para as quais não existem evidências científicas de que funcionem ou que possam até ser perigosas. Poderia até existir um termo de responsabilidade em que o paciente declara que mesmo tomando conhecimento desse facto pretende seguir em frente com o tratamento (o que protegeria o próprio terapeuta de eventuais chatices). Assim se garantiria uma escolha realmente livre. Mas esta proposta de lei não tem a ver com isto.

Estamos a falar de um tema que tanto pode envolver o tratamento de simples constipações como também curas milagrosas para doenças mortais, existindo uma vasta região cinzenta pelo meio. É um exemplo extremo o tempo precioso que se pode perder com promessas vazias de curas “naturais” para o cancro, sem os efeitos colaterais das terapias convencionais que por mais limitadas que ainda sejam são a melhor hipótese que existe. Se o paciente for devidamente informado de que a cura “natural” não é suportada por evidências científicas, decidindo mesmo assim tentar a sorte, é mais do que livre de o fazer, o problema que Desidério ignora é que isso é a excepção e não a regra. Outro exemplo, infelizmente cada vez mais comum, é o caso de pais que deixam de vacinar os seus filhos a conselho de terapeutas alternativos, apesar de todas as evidências científicas indicarem que os benefícios são vastamente superiores aos hipotéticos malefícios, situação que configura por isso uma desinformação grosseira.

Desidério afirma que não é relativista e que apenas “seria relativista se aceitasse que as verdades são relativas ao que as pessoas pensam”(2), e ainda bem que assim é, por isso não se entende que, aparentemente, não reconheça a capacidade da ciência em distinguir que terapias funcionam ao sugerir que “geralmente, só os próprios profissionais de uma área sabem como distinguir entre eles. E é isso que os homeopatas querem fazer”(2) de forma a distinguirem “o trigo do joio”(1).

Geralmente até pode ser que assim seja, mas seria absurdo esperar que a própria indústria tabaqueira fosse a primeira a revelar que fumar faz mal, ou que consiga produzir um tipo de cigarros que não faça mal e que eles possam vender em detrimento de outros. A razão pela qual sabemos que fumar faz mal é pela montanha de evidências científicas que foram acumuladas ao longo de décadas. Uma lei foi então feita para proteger os cidadãos da desinformação e para proteger os não-fumadores da acção irreflectida dos fumadores. Será isto uma violação abominável das liberdades dos fumadores ou das tabaqueiras?

Philosoraptor, meme da internet.

Tenho dúvidas que os homeopatas consigam distinguir um medicamento homeopático do outro, quando estes são apenas constituídos por água ou açúcar. Poderiam contudo estudar os seus efeitos no corpo humano, mas estamos a falar de pessoas que muitas vezes não reconhecem a necessidade de utilizar os melhores estudos possíveis ou simplesmente negam completamente a validade do método científico. Como é que se separa o joio do joio utilizando nada mais do que joio?

Desidério diz ainda que “o cientista que ousar estudar a homeopatia fica logo excluído do clube, é mal visto pelos seus colegas, perde provavelmente o seu emprego e enfrenta o opróbrio. E nem tem de procurar provar que a homeopatia funciona. Basta que a estude com a mesma seriedade com que estuda qualquer outra coisa na sua área” (1).

É normal que um cientista que tente provar que a homeopatia funciona (ou o inverso) seja excluído do “clube” e mal visto pelos seus colegas, porque ao contrário de um cientista que tenta descobrir se a homeopatia funciona, ele não estaria a fazer realmente ciência. O que não faltam são estudos sobre a homeopatia, uns mais sérios do que outros, assim como dinheiro para os realizar. Uma pesquisa simples em qualquer base de dados de artigos científicos o demonstra (nós referimos aqui alguns). Só para que exista uma noção, ainda há pouco tempo a União Europeia decidiu que seria uma medida inteligente gastar dois milhões de euros a tentar desenvolver homeopatia para vacas como uma alternativa viável aos antibióticos, algo que alguns homeopatas se apressaram a afirmar que era uma validação da homeopatia. Permanece no entanto a dúvida de como saberão eles o resultado ainda antes de estar concluído o estudo? Outro exemplo é o National Center for Complementary and Alternative Medicine (NNCAM) nos EUA que é um centro de investigação financiado pelo estado para estudar exclusivamente as mais variadas terapias alternativas, por mais implausíveis que sejam.

Acusações de perseguição a quem desafia a “ortodoxia” científica são uma caricatura muito fácil de fazer, mas que está longe de ter qualquer base factual, caso contrário a ciência permaneceria estagnada no tempo, ironicamente, tal como acontece com algumas das terapias alternativas. Claro que existe sempre resistência à mudança, claro que os cientistas são humanos, mas a ciência não seria ciência se não se exigisse evidências extraordinárias para afirmações também elas extraordinárias, isto é, que vão contra o conhecimento já acumulado. A verdade é que quem tiver evidências convincentes que suportem a homeopatia, ganha não só o prémio Nobel da Medicina como também da Física e da Química.

Desidério Murcho construiu todo o seu argumento contra o gigante imaginário do cientismo opressor, e convenceu-se de que este quer proibir e perseguir tudo o que vá contra a “ortodoxia”. Infelizmente, a donzela que precisava realmente de resgate era a liberdade de expressão e de crítica, que se encontra constantemente sob ataque pelas mesmas pessoas que Desidério tanto teme estarem a ser oprimidas. Existem ideias que não convivem bem com a crítica, vá-se lá saber o porquê…

Nota: Ludwig Krippahl e David Marçal escreveram também uma resposta às ideias de Desidério Murcho e que podem ser lidas aqui e aqui.

(1) Em defesa da aldrabice

(2) Em defesa da liberdade

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Adenda I: Desidério escreveu um outro texto sobre “Moralidade e relativismo”. Um texto que até faria bastante sentido se não continuasse a insistir na profunda confusão de que alguém quer proibir algo e de que esta proposta de lei serve para garantir a liberdade de quem pensa diferente, quando não serve, é uma proposta de lei fundamentalmente relativista, algo que o próprio afirma ser contra.

Adenda II: Joao da Crónica da Ciência escreveu também duas respostas sob o título “Drama e argumentos homeopáticos” e “Não é cientificismo. Precisamos mesmo da ciência”.

16 Responstas a “Dom Quixote e o gigante do cientismo

  • É bom saber que esta proposta de lei está a incomodar terceiros, quer dizer que realmente as terapias complementares(e não alternativas) têm valor suficiente para serem motivo de preocupação.A homeopatia, para quem vive na ignorância, para muitos é a Medicina escolhida para se curarem, só para dar um pequeno exemplo a família real inglesa usa a Homeopatia.Em muitos países a Homeopatia é respeitada e utilizada como a Medicina convencional.No nosso país não o é devido à resistência da ordem dos médicos, apesar de alguns praticarem Homeopatia também,em segredo porque senão têm que deixar de exercer… e nem vale a pena referir o efeito placebo, pois funciona com bebés, crianças e animais. Aconselho a conhecer um pouco melhor o que critica…a não ser que seja Médico ou pertença à indústria farmacêutica, aí não terá nenhum interesse em que a Homeopatia seja uma Medicina complementar respeitável e competente.

    • Olá Cátia,
      O que isto quer dizer é que a homeopatia é um assunto que envolve coisas que são importantes, se tem valor isso já é um assunto que decerto saberá que discordamos. Se eu fosse um praticante de homeopatia ou outra terapia alternativa qualquer, eu teria todo o gosto em ver a minha prática comprovada pela ciência em vez de ser por decreto, porque a partir daí deixava de ser medicina alternativa e passava só a ser medicina. No entanto, os seus apologistas não reconheçam o porquê de isso ser uma coisa importante (mas se ler os links do primeiro paragrafo tem aí a sua resposta), e em vez disso continuam a insistir em argumentos de popularidade, de autoridade e teorias da conspiração, que não são argumentos válidos mas falácias lógicas bastante comuns. O que é uma pena.
      Os melhores cumprimentos.

    • Cara Cátia,

      O problema é que as terapias não convencionais adoptaram o nome de complementares, mas elas não são verdadeiramente complementares à medicina. Porque tratamentos que são verdadeiramente eficazes no combate a doenças nunca são referenciados por esses “terapeutas”, como é o caso das vacinas (indicado em hyperlink no post do Marco).

    • Nenhum dos colaboradores da Comcept tem qualquer conflito de interesses que se relacionem quer com a prática médica, quer com a indústria farmacêutica. Os argumentos aqui apresentados baseiam-se no conhecimento científico acumulado e nos consensos da comunidade académica.
      Argumentos de popularidade ou de autoridade são falácias muito comuns, mas que não constituem qualquer evidência válida do ponto de vista científico.
      Esta proposta de lei incomoda todo e qualquer cidadão que queira ser minimamente protegido de fraudes e charlatanices.

  • Ena, que grande segredo com que se pratica a vigarice da Homeopatia em Portugal, hoje até há um programa na SIC a filmarem homeopatas. Vou à Farmácia comprar aspirina e o farmacêutico aponta para o cartaz da poções homeopáticas e diz alto e bom som: quer comprar esta beberagem, é mais cara do que a aspirina mas muita gente compra e diz que faz bem. Olhe, dão à noite às crianças que têm febre e de manhã já baixou um pouco a temperatura.

    O difícil em Portugal é um cidadão não sere constantemente bombardeado pelo marketing poderoso e plea publicidade enganosa dos vigaristas da homeopatia.

    Que grande segredo, francamente Cátia Justo, onde foi imaginar uma inverdade tão grande?

    Espero que verifique como se está a enganar a si própria, mas entre numa qualuer farmácia ou acenda a TV para verificar por si própria.

    Enfim, é humano, e muito difícil uma pessoa admitir que está a ser vigarizada, mas confio que a Cátia veja pelos seus olhos.

    Entretanto fui lançar um frasco de mel ao mar, no Oceano Atlântico, e agora afirmo que a água do Oceano é doce.

    É isso que faz a Homeopatia, diz que o mel que eu dissolvi no Atlântico torna a água doce e cursa todas as doenças.

    Não bebam água do mar se tiverem sede, pois a água salgada mata os seres humanos, se bebida em grandes quantidades.

    Se eu tiver um dia cancro, que espero bem que não, e se beber água com açúcar da homeopatia, estou a alimentar a larga maioria dos mais de 100 diferentes cancros identificados.

    Estarei a suicidar-me. E o homeopata que me receitou as suas poções estará a assassinar-me.

    • A homeopatia não é contra a vacinação, algumas pessoas o são, seja qual for a sua profissão ou pensamento. A homeopatia não é fitoterapia nem naturopatia.não chegamos à farmácia ou ervanária e nos aconselham determinado medicamento homeopático…isso só o homeopata o deve fazer, ´´e assim que se fica com má idéia da homeopatia.Eu curo as minhas doenças com homeopatia, a minha filha tem 6 anos e tem um problema nos adenóides desde bebé.A pediatra queria operá-la porque todos os anos fazia otites atrás de otites, tomando sucessivamente antibióticos.Aos 3 anos começou a tomar homeopáticos e desde então nunca mais tomou antibióticos.Se fosse operada, o mais provável era voltar a ter problemas como acontece com muitas crianças.Ela curou-se e concerteza não foi com açúcar.Nenhum homeopata lhe vai dizer que cura o cancro.Existem bons e maus profissionais em todas as áreas, tal como na medicina convencional.Existem médicos que já matarm pacientes por negligência, maus cuidados, maus diagnósticos, nós homeopatas, o máximo que podemos prejudicar um paciente é não conseguir acertar com o remédio correcto e não fazer simplesmente nada, se formos um mau terapêuta.Existem inúmeras coisas visíveis e invisíveis na nossa vida, no nosso cérebro, no nosso corpo, no universo, etc que a ciência não consegue explicar e a homeopatia é uma delas.

      • E no entanto, as farmácias vendem medicamentos homeopáticos a quem os pedir, alguns produzidos por empresas multinacionais com tanto poder quanto a indústria farmacêutica convencional. A homeopatia até pode não ser contra a vacinação, mas uma parte dos seus praticantes é. E isso é um sintoma que deriva directamente do hábito de colocar as evidências científicas ao mesmo nível de experiências pessoais, intuições e rumores, quando não estão. Fico feliz por a sua filha ter ficado bem, mas se tiver lido os links que sugeri em cima, teria ficado a entender que não é possível saber se a infecção da sua filha desapareceu espontaneamente ou por acção dos medicamentos homeopáticos (e poderá ler mais este se estiver interessada). A maioria das doenças que temos passam sozinhas, porque felizmente temos um sistema imunitário responsável por isso. A experiência subjectiva que usamos no dia-a-dia não chega neste assunto, são necessários estudos que tenham a capacidade de medir o efeito real e objectivo dos medicamentos. Se formos realmente honestos connosco próprios, temos de reconhecer que a percepção humana é extremamente falível. A ciência emprega ferramentas que permitem mitigar esse problema. Quem não aceita isso está no seu direito, mas corre o risco de se enganar e ser enganado muito mais vezes. Cumprimentos.

        • A minha resposta é que adorei a reportagem!!Continuem a viver na ignorância.
          É preciso o decreto lei ser aprovado para surgir uma reportagem imparcial…

          • Eu também vi e não em surpreende que tenha adorado, toda ela foi desenhada para isso. De imparcial teve pouco, uma vez que apenas surgiram terapeutas e médicos favoráveis às terapias alternativas. Mas a Cátia é livre de acreditar no que quiser. Se quiser ser exposta a ideias diferentes será bem-vinda, mas se não quer receber informações contrárias aquilo que já decidiu que é verdade está no seu direito e não precisa de vir aqui. Se o objectivo é simplesmente convencer-nos a mudar de ideias quando já deixámos claro que achamos que as evidências científicas são mais importantes que as experiências pessoais (que foi tudo o que vi na reportagem), então não vale a pena continuar a repetir as mesmas coisas… Os melhores cumprimentos.

          • O seu conceito de imparcialidade está a precisar de uma pequena reciclagem de formação: imparcial, segundo o dicionário da Priberam: “Que não favorece um em detrimento de terceiro.”

            A reportagem esteve muito longe de ser imparcial.
            Para ser imparcial, teria que ter posto em evidência todo o conhecimento acumulado ao longo de centenas de anos de investigação científica. Conhecimento esse que nega ou duvida da maioria do que foi apresentado por quem tem sérios conflitos de interesses ou confia apenas em testemunhos pessoais.

      • A falta de explicação não é o problema da homeopatia.
        O problema da homeopatia é a falta de resultados em ensaios clínicos devidamente controlados.
        Se esses ensaios desses resultados significativos, a falta de explicação só levaria à procura afincada de uma explicação para esses resultados surpreendentes.
        Mas a verdade é que, quando se fazem ensaios clínicos, os resultados do preparado homeopático não se diferenciam dos do tratamento controlo (ou placebo), portanto não existe um efeito fisiológico que possa ser atribuído à ingestão do preparado homeopático.
        Os testemunhos pessoais, por mais reconfortantes que sejam, não servem como evidência científica. E há inúmeras explicações para esses aparentes casos de cura: desde um mau diagnóstico a uma cura espontânea…

        Não é verdade que a homeopatia seja só prescrita por homeopatas. Basta ver os anúncios nos órgãos de comunicação social e entrar em qualquer farmácia ou para-farmácia. Os preparados homeopáticos sao de venda livre. E geram milhões de lucro às empresas que os comercializam.

        Quanto à vacinação, a maioria dos pais que negam as vacinas aos seus filhos na Europa, fazem-no porque assim lhes recomendou um homeopata ou naturopata. Esses são os dados objectivos que os técnicos de saúde pública estão a recolher em Portugal, França, Inglaterra, etc.

        Se a Cátia não nega os benefícios das vacinas, ainda bem. Ao menos isso. Assim não põe em risco a saúde da sua filha, nem a dos filhos dos outros pais, que não têm culpa que haja pais que colocam a vida de crianças inocentes em risco.

  • Pois, é. Quando alguem acha que a evidencia anedótica é mais importante que a evidencia sistematica, reprodutivel e independetemente verificável, há pouco a fazer.

    Nunca deixo de ficar surpreendido, no entanto, no grau de infalibilidade que as pessoas reservam para si próprias. A falta de vontade de ir mesmo ver se o que parece é, de não aceitar que ver mais vezes é melhor que uma, e por aí fora…

    Pessoas como a Katia carecem de uma enorme incompreensão das nossas limitações, do que sabemos sobre elas e do que podemos fazer para as ultrapassar.

    Por apelar à nossa auto-estima é que foi tão bem sucedido durante tanto tempo. E mesmo assim, nos dias que correm, alguem ter este tipo de arrogancia, é sempre desconcertante.

    É como olhar para trás no tempo.

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