O natural também faz mal

Esta semana, na passada segunda-feira 13 de Maio, foi lançada uma campanha nacional para sensibilizar a população para os riscos do consumo simultâneo de produtos naturais e de medicamentos. Esta iniciativa insere-se no projecto “Aprender Saúde: entre as Plantas e os Medicamentos”, da responsabilidade do Observatório de Interacções Planta-Medicamento, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (OIPM-FFUC) – instituição que já mereceu destaque no nosso site, no passado.

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Quando se fala em produtos naturais, referimo-nos, neste caso, aos designados medicamentos naturais e suplementos alimentares ou vitamínicos.

A venda destes produtos é um nicho de mercado que tem aumentado nos últimos anos. As pessoas recorrem a estas substâncias para melhorar a sua saúde, a performance sexual, para emagrecer ou para dormir melhor, entre outras razões. Optam por estes produtos em detrimento dos medicamentos porque acham que são mais saudáveis, fazem melhor, ou porque são “livres de químicos”.

A verdade é que estes produtos não são completamente inócuos. Há produtos naturais que são tóxicos, outros que têm propriedades terapêuticas mas cuja dosagem deveria ser controlada (o que nem sempre é feito), outros ainda que adquirem esta designação para contornar o processo de regulamentação por parte das entidades que protegem o consumidor, e há os casos de interacção com medicamentos.

É esse o objectivo desta campanha: informar as pessoas de que os produtos naturais podem interagir com os medicamentos, através dos princípios activos de ambos. O resultado poderá ser potenciar, minimizar ou até anular o efeito do medicamento que se está a tomar.

Maria de Graça Campos é a coordenadora deste Observatório da Universidade de Coimbra. Em entrevista à Lusa, disse que os consumidores deveriam informar-se sobre os medicamentos ou suplementos naturais que consomem, sugerindo a leitura dos rótulos de modo a evitar correr riscos para a saúde.

Convenceu-se as pessoas de que o que “é natural é bom”, e que, por conseguinte, “os produtos naturais não fazem mal”, mas este é um mito frequente que é preciso combater. A verdade é que com o crescimento do consumo destes produtos, tem aumentado o número de casos de interação medicamentosa e, inclusive, de mortes relacionadas com esse efeito.

Graça Campos deixa um importante alerta: “O que o público não sabe é que a eficácia [destes produtos], na maior parte das vezes, não foi provada, que o controlo de qualidade é nulo e que, por vezes, vêm adicionados de medicamentos contrafeitos, que podem ainda vir contaminados com substâncias altamente tóxicas”.

Vários exemplos de interações entre medicamentos-plantas serão explicados ao longo de cinco semanas nos Media, através desta campanha, dirigida a quatro públicos-alvo: os doentes polimedicados, a população saudável que recorre a suplementos, os adolescentes potenciais consumidores de “smart drugs” e os doentes oncológicos.

Nota final: Tenho acompanhado alguns comentários de reacção a esta notícia, que merecem um esclarecimento. Dizem, alguns leitores, que esta campanha faz parte de um lobby da indústria farmacêutica para eliminar os medicamentos naturais do mercado. No entanto, não é disso que se trata, nem tão-pouco isso é dito. O que esta campanha pretende é alertar os consumidores para a possibilidade de interação entre os princípios activos dos medicamentos naturais e dos convencionais receitados pelos médicos. Repare-se que este esta campanha do OIPM-FFUC resulta de estudos científicos realizados por especialistas da área, pelo que os efeitos estão estudados. Se o leitor tiver dúvidas, consulte o site, ou contacte a instituição através do facebook.

Notícia nos media:

RTP
Jornal de Notícias
Notícias ao minuto

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