Crítica a “Ser Espiritual” de Luís Portela

Este texto é da autoria de António Piedade e foi reproduzido na COMCEPT com a autorização do autor. O original pode ser encontrado no blog De Rerum Natura.

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A Editora Gradiva publicou em Junho de 2013 o livro “Ser Espiritual – da evidência à ciência” do médico Luís Portela.

Como sugere e pede Luís Portela ao leitor na sua introdução ao livro, a minha leitura foi iniciada sem preconceitos e com a maior e possível imparcialidade, com a maior abertura de espírito para descobrir conhecimento novo, mantendo, contudo e como faço habitualmente, um espírito crítico contextualizado na minha cultura e formação científica.

Partilho com o eventual leitor que a leitura progrediu sobressaltada por contradições entre capítulos, pelo espanto de encontrar uma mistura de temas que poderiam pertencer a livros de áreas distintas: história da ciência; espiritismo; guia espiritual e moral, entre outros.

Na minha humilde opinião, esta mistura de assuntos sem real relação causal entre si tornam a leitura deste livro confusa, e potencialmente causadora de mal-entendidos, para além de abrir as portas às pseudociências.

Felizmente existe em Portugal e na mesma editora Gradiva uma excelente e prestigiada colecção de boa divulgação científica dirigida ao público em geral, a “Ciência Aberta”, que nos seus mais de 200 títulos inclui dezenas de livros que desmascaram de forma convincente as falsas ciências ou pseudociências que são virais ao longo da história da humanidade e que Luís Portela acredita e divulga neste seu livro.

Coisa interessante é que Luís Portela consegue escrever um livro que aparenta ser a favor do conhecimento científico e da importância que a ciência tem no desenvolvimento de uma humanidade mais livre. O problema é que o leitor menos atento pode iludir-se com a tentativa de Luís Portela em afirmar que algumas teorias, utopias e imaginações são passíveis de serem verificadas e validadas através do método científico. Mas ao mesmo tempo Luís Portela afirma que “embora não demonstradas científicamente, estas conjecturas [vidas passadas e futuras, por exemplo] fazem sentido”. O problema é que o “sentido” e as realidades mentais em que Luís Portela é livre de acreditar não são passíveis de serem verificadas, ou sequer experimentadas, pela ciência moderna. A ciência moderna tem como objecto de estudo o que é e não o que nós queremos, acreditamos ou desejamos que deva ser!

Apesar da abertura de espírito que o autor requere para uma mais proveitosa leitura deste livro, é no mínimo espantoso o facto de o médico e psicofisiologista de formação se esquecer de mencionar factos científicos que a biologia e as neurociências modernas têm disponibilizado a todos para explicar um sem número de ilusões neuronais e fisiológicas. Fenómenos que durante séculos foram domínio do desconhecido recheado de medos, das crenças baseadas em explicações erradas do funcionamento do corpo humano e das leis da natureza.

Este é o segundo livro de Luís Portela. Conhecido pela empresa familiar que dirigiu, presidiu e de que hoje é chairman, Bial, a principal indústria farmacêutica portuguesa, Luís Portela publicou o seu primeiro livro “O Prazer de Ser”, pela Edições ASA, em Março de 2008. Este primeiro livro reúne diversos textos em que o autor expressa a sua experiência humana.

Enquanto presidente da companhia farmacêutica Bial, saliente-se o desenvolvimento e produção do que foi considerado o primeiro medicamento português: o Zebinix. Sendo um fármaco dirigido ao tratamento de doentes com distintas epilepsias, foi aprovado pela FDA norte-americana para ser comercializado neste país. Hoje em dia está comercializado em muitos outros países, constituindo um sucesso incontornável na história da indústria farmacêutica e das ciências da saúde portuguesas. Refira-se que o desenvolvimento deste fármaco envolveu dezenas de investigadores de várias universidades e de várias especialidades científicas durante mais de uma década. Luís Portela teve assim oportunidade de dirigir e viver a produção de conhecimento científico de excelência, publicado em revistas científicas da especialidade com revisão pelos pares, com resultados científicos reprodutíveis, validados e aceites pela comunidade científica internacional relacionada com a interdisciplinaridade que envolve as doenças epilépticas (o plural indica a variabilidade da perturbação neuronal).

Esta referência ao conhecimento e proximidade de excelência de Luís Portela com o método experimental científico moderno e com aquilo que ele implica de liberdade, probidade e honestidade intelectual, à universalidade da verificação da realidade factual, permite compreender a tentação do autor do livro “Ser Espiritual” em querer validar cientificamente uma realidade em que ele acredita. Luís Portela conhece bem o que é e como se faz ciência de excelência. Mas para as crenças, legítimas de autor, ainda não há qualquer consenso de que possam sequer ser alvo de experimentação pelo método científico, como já se disse. Estou a referir-me concretamente aos casos da reincarnação, da telepatia, da psicocinese, da vida para além da morte entre outros aspectos de uma realidade muito espírita que Luís Portela defende, legítima e livremente, existir. Acredita que existe e quer que essa existência seja demonstrada e verificada cientificamente. O problema, e tal como o próprio autor refere, contradizendo-se, é que todas as tentativas para as provar experimentalmente não produziram resultados reprodutíveis e credíveis.

De facto deve ser difícil provar cientificamente que uma galinha dobre objectos com a força do seu pensamento, como refere Luís Portela na página 89! O que é isto senão a mais ingénua pseudociência. Ou então a possibilidade de gravar vozes e imagens de pessoas que já morreram! Gravações que, por aquilo que afirma Luís Portela, são muito famosas e credíveis, feitas através de uma “transcomunicação instrumental” entre realidades distintas! Isto está mais próximo do melhor ilusionismo espírita do que da má ciência.

Neste livro Luís Portela indica e cita vários estudos efectuados em diversas universidades internacionais sobre estes assuntos e refere o envolvimento de investigadores que tentaram estudá-los cientificamente. Contudo os resultados divulgados não são reprodutíveis, como o próprio Luís Portela afirma e conclui em alguns capítulos.

O autor parte mais de uma vez do conhecimento e da história da ciência para dela tentar contextualizar e fundamentar as realidades em que acredita. É o caso da teoria física das “supercordas” (página 23 e seguintes) à qual o autor recorre para tentar sincronizar as vibrações das cordas, partículas lineares fundamentais e constituintes de todo o Universo, com as “vibrações do pensamento humano” emanado e em sintonia com uma Harmonia Universal. O que Luís Portela não diz é que a Teoria das Cordas ainda não encontrou demonstração experimental científica. É uma teoria física ainda “à espera” de ser confirmada cientificamente.

Outro exemplo de pseudociência no livro “Ser Espiritual” é o da extrapolação descontextualizada de conhecimento científico para explicar vários aspectos espíritas como são os casos da existência da alma e o da “força do pensamento humano”. O autor considera que esta é uma força que tem a mesma validade de qualquer uma das outras quatro forças físicas, como seja a da gravidade. Considerando o pensamento humano como uma força, Luis Portela aplica-lhe a 3ª lei da mecânica Newtoniana, geralmente conhecida por lei da acção – reacção (que diz que para toda e qualquer acção há sempre uma reacção oposta e de igual intensidade), e uma certa “lei da causa e do efeito” (página 31), para assim fundamentar a existência da telepatia e da influência que podemos ter uns sobre os outros através da transmissão de pensamentos positivos e negativos. E isto ocorre à velocidade do pensamento, velocidade essa que Luís Portela não diz qual é!

Confrontado com o cepticismo e desinteresse da comunidade científica internacional sobre estes assuntos, o autor repete várias vezes um apelo para que esta considere efectuar mais investigação científica nos domínios da parapsicologia. Isto porque a que foi e tem sido feita não tem obtido resultados reprodutíveis, não são credíveis, e são de difícil validação científica. Uma vez que a ciência moderna e o seu método científico não se adequam aos objectos de estudo da parapsicologia, Luís Portela desafia a comunidade científica a mudar de paradigma, a mudar de metodologia (páginas 46, 49 e 114, por exemplo).

Um facto real é o de que este novo livro de Luís Portela é centralmente sobre espiritismo, dedicando-lhe vários capítulos com seja o intitulado “Corpo anímico”. Isto, apesar de noutros capítulos, diga-se em abono da verdade, serem dele libertos e dedicados a uma exposição, sugestões, indicações do autor, fruto da sua intensa e rica experiência pessoal, sobre a melhor conduta humana, sobre a defesa do ser sobre o ter, sobre a necessidade da aproximação do Homem a uma sensibilidade espiritual que estará actualmente muito deficitária, principalmente no mundo ocidental e desenvolvido, exactamente naquele em que a ciência moderna se desenvolveu.

Este livro não é um livro anticiência. Aliás, reconhecendo a importância da ciência moderna para o desenvolvimento livre e democrático das sociedades humanas, faz, como disse, um apelo a um maior envolvimento da comunidade científica aos assuntos ditos paranormais e mediúnicos, espíritas. Contudo, Luís Portela, com um discurso científico presente em momentos chave do livro, põe ao mesmo nível do conhecimento científico as inverdades divulgadas pelas pseudociências. E é também por isso que este livro pode iludir o leitor menos informado, confundindo-o com relações que nada têm de científicas.

O leitor, assim como o autor, são livres de acreditar nas suas crenças, mas é importante denunciar mais um livro que vem alimentar o rio secular das pseudociências.

António Piedade

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António Piedade é bioquímico de formação. Após um percurso de investigação científica laboratorial, tem-se dedicado exclusivamente a uma intensa e diversificada atividade de divulgador de ciência, através de mais de 400 artigos e crónicas em órgãos de comunicação social, bem como palestras em escolas. Colaborou com instituições como o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra; a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica – Ciência Viva; o Pavilhão do Conhecimento; o Exploratório – Centro Ciência Viva; Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, entre outros. É investigador do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra e autor das obras Caminhos de Ciência, Silêncio Prodigioso e Íris Científica, esta última incluída no Plano Nacional de Leitura.

30 Responstas a “Crítica a “Ser Espiritual” de Luís Portela

  • Ao autor, António Piedade:

    Obrigada por esta extensa e sincera análise.
    Não posso dizer muito porque não li o livro.
    No entanto, estive presente numa das apresentações públicas do mesmo.
    Nessa apresentação, o Dr Luís Portela começou por fazer um apelo à popularidade e à autoridade, lembrando a sua extensa experiência clínica e os milhares de casos que diz conhecer de pessoas que, como ele, “experimentaram” fenómenos paranormais (mas que ele decidiu nao mencionar no livro).
    De seguida, explicou que escreveu o livro porque ainda ninguém, nem em Portugal nem no estrangeiro, se tinha ainda debruçado sobre a relação entre a ciência e a parapsicologia.
    Após esta afirmação que só posso classificar como desonesta, eu abandonei a sala.

    Este é o único contributo que posso fazer para a discussão.
    Comprar o livro, seria dar apoio a esta farsa.

  • Não li o livro, mas pelo artigo de António Piedade, poderei inferir que os “assuntos” devem ter sido abordados pelo autor do livro de uma maneira talvez “popularucha” que enfatiza e de certo modo atribui um carácter de crendice aos temas tratados (esta minha crítica tem o valor que tem, isto é, nenhum, pelo que não pretende ser desrespeitosa para o autor!).

    Por outro lado, e baseando-me nas investigações efectuadas por exemplo por Amit Gotswami, físico quântico, e por físicos como Fritjof Capra e David Bohm, parece começar a existir a tendência para considerar que o tecido em que se apoia a realidade é, nada mais, nada menos, do que a consciência! É, pois, minha convicção que a ciência tem negligenciado o aspecto da consciência em pró do aspecto puramente material, biológico se se quiser. E tem-no feito quer do lado do sujeito/observador como do lado do objecto/observado.

    “There are more things in heaven and earth, Horatio, than are dreamt of in your philosophy.”

    Cumprimentos,

    Isabel G

  • Correcção: onde se lê “… como do lado do objecto/observado.” deverá ler-se “… quer do lado do objecto/observado.” As minhas desculpas pelo erro.

    • Cara Isabel,

      Não percebo muito bem o que quer dizer com “… a ciência tem negligenciado o aspecto da consciência em pró do aspecto puramente material, biológico…”

      De que maneira a ciência pode estudar aquilo que não é material? Quais os meios de controlo, observação e análise se não tem matéria para o fazer?

      • Exactamente! Que meios de controlo, observação e análise tem a ciência para, por exemplo, estudar a consciência?

        O que pretendo dizer é que a ciência não explica (ainda) muita coisa que se relaciona, não com a estrutura molecular, a estrutura biológica, do homem, mas com a sua consciência.

        Costumo argumentar com o seguinte: um cientista que acredita em deus é forçosamente um mau cientista, ou melhor, um pseudo-cientista?

        • Claro que a ciência não explica tudo ainda. Assim, não teria razões para existir. Mas o que a Isabel está implicitamente a dizer é que não existe nada de material para estudar no campo da consciência e isso não é verdade.

          A Isabel está a par das investigações no campo da neurologia?

          • Não, caro Abrantes, não é nada disso que estou a dizer: digo, sim, que a ciência ainda não é capaz de estudar determinados fenómenos da consciência porque esta não pode ser estudada com a presente abordagem científica. São coisas diferentes!

          • “… determinados fenómenos da consciência porque esta não pode ser estudada com a presente abordagem científica”

            Porquê?

            Vai desculpar-me, mas quero perceber o que está a dizer. Diz que a ciência não é capaz de estudar determinados fenómenos – o que não é verdade. Não sabemos tudo ainda, mas sabemos muito mais do que sabíamos no início do século, porque razão temos de mudar
            de abordagem científica, se temos tido resultados com ela?

            Se existem fenómenos observáveis materialmente – então são passíveis de serem observados à luz da ciência. Podemos fazer especulações, mas elas não passam disso enquanto não existirem dados concretos para confirmar essa especulação.

  • Cara Isabel, permita-me que a corrija. Não há qualquer tendência para explicar a mecânica quântica ou a Física de Partículas pela consciência. O que houve foi um filme/documentário que é uma rol de vigarices da seita religiosa New Age denominado “what the Bleep do we know.”

    A sua fundadora afirma categoricamente que vive há 35 mil anos e acredita nas medicinas alternativas e na pseudociência. De facto acredita tanto que o seu marido recorreu a estas propostas da consciência para tratar uma doença grave e morreu.

    Esse sim é o resultado objectivo da pseudociência: a morte dos doentes.

    É essa a tendência verificável.

    • Caro Manel Martins, vai-me desculpar, e digo isto com todo o respeito, mas não está a falar como uma “taradinha da New Age”. Não vi o filme a que se refere nem faço tenções de o ver.

      As minhas questões prendem-se apenas com o facto de que existem fenómenos que a ciência não explica. No campo da física quântica, porém, se usarmos o cérebro sem o véu do cartesianismo, poderemos ser levados a pensar bastante, por exemplo, no que respeita à experiência do gato de Schrödinger! A influência da consciência do observador pode ter (e para mim tem) influência no observado. Afinal, não é mais ou menos isso o que se passa com o efeito placebo?

      Atrevo-me até a ir mais longe: numa experiência, tida como material e 100% racional, o que é que garante um resultado integralmente isento da influência do experimentador?

      P.S. – Mais uma vez peço desculpa, mas aparentemente não compreendeu o conceito. Não é a física, quântica ou não, que é explicável pela consciência. É, precisamente, o contrário!

      • Cara Isabel:

        A física quântica nada tem a ver com os estudos da consciência.
        Esses fazem-se através na Neurobiologia (ou Neurofisiologia).

        Há uma franja pseudo-científica que se está a aproveitar das “estranhezas” da Física Quântica para usurpar os seus conceitos, leis e premissas e aplicá-los onde eles não são aplicáveis. A Física Quântica tem contribuído, e muito, para o avanço técnico desses estudos (por exemplo com as máquinas de ressonância magnética funcional).

        O nosso cérebro é, realmente, de difícil estudo.
        Mas isso não quer dizer que não se tenham feito avanços tremendos na sua compreensão.
        E esses avanços incluem também aquilo a que chamamos consciência.
        Se quiser saber mais, aconselho-lhe a leitura do livro “Consciousness Explained”, de Daniel Dennett, para uma visão realmente científica do que se sabia (àquela data) sobre a consciência.

  • E sim a Ciência pode estudar e estuda muito a Energia não material, a que não está sob a forma da matéria. Chama-se Energia sob a forma de radiação e verifica-se olhando para o Sol ou para o íman no frigorífico.É igual à energia sob a forma de massa (matéria) x o quadrado da velocidade da luz.

  • Os nomes e a tendência que citou são da New Age, objectivamente.

    Está a fazer um Lord of the gaps, ou seja, quer explicar de acordo com a sua crença o que ainda não foi explicado pela Ciência.

    A Física de Partículas não tem como objecto de estudo a consciência. Fornece é aparatos para os neurologistas estudarem a anatomia das funções cerebrais.

    Não pretende a Física explicar consciência, o que acontece é que para leigos (todos, incluindo os de boa fé como a Isabel) é esta a foram de se vender todo o tipo de vigarices, das que matam os doentes. Ou mais simplesmente fazem confundir os conceitos.

    Na questão de Schroedinger sobressai um excelente exemplo: a experiência do gato (que sim, é uma situação imaginária) foi com o objectivo de negar a Física de Partículas e a Mecância Quântica, dado que Erwin Schroedinger negava a sua plausibilidade.

    Consegue entender como está a ser enganada? Mistura de conceitos que são difíceis de dominar para se advogar as vigarices da pseudo ciência.

    Verifique então, usando simpesmente a sua notória boi fé, como foi engando e lhe trocaram todos os conceitos.

    È típico desse marketing New Age Isabel: uma sopa de palavras paradoxais e contraditórias para se vender a treta da cura quântica pela consciência, que mata.

    É antes outrossim falta de consciência, ou de Ética de quem faz isso, isso é um dado objectivo observável nos Resultados.

    E a Isabel está a ser vítima desse embuste carnavalesco, mas sofisticado.

    • Meus caros, permitam-me responder a todos num só comentário:

      Não pretendo retirar o valor da Ciência. Tem-no e muito. Mas a questão é que a ciência peca pela rigorosidade, racionalidade e imparcialidade que diz ter. Ao afirmar isto quero dizer que a ciência é compartimentada. Usando uma frase batida, a ciência rejeita peremptóriamente o que ainda não é capaz de explicar. Mas essa rejeição não determina a não existência ou a falsidade desses fenómenos ainda não explicados.

      Como dizia Carl G. Jung “A diferença entre a maioria dos homens e eu, reside no facto de que que em mim as ‘paredes divisórias’ são transparentes. É uma particularidade minha. Nos outros, elas são muitas vezes tão espessas, que lhes impedem a visão; pensam eles, por isso, que não há nada do outro lado.”

      • Cara Isabel,

        A ciência não rejeita peremptoriamente o que ainda não é capaz de explicar. Rejeita sim hipóteses para as quais não existem suficientes dados para as suportar. Caso existam novos factos a ter em conta, haverá nova análise à hipótese.

        Se o rigor, racionalidade e a imparcialidade é um “pecado”, se calhar é, mas lembre-se, é por isso é que é ciência e não religião. E não há problema nenhum em que algo seja religião, o problema mesmo é quando se quer misturar as duas. E parece ser esse o caso do livro em questão.

  • Não, caro Abrantes, não posso concordar consigo. Há muitas coisas para além da ciência e para além da religião. Misturar ciência com religião é um absurdo: não estamos a falar de crenças nem de dogmas!

    Como comecei por dizer, não li o livro e por tal não vou emitir opiniões. Porém, continuo convicta de que a ciência esquece a consciência (não estou a falar de Energia, caro Manel Martins). E consciência não é religião. Poderá ser, sim, espiritualidade (não espiritismo!).

    Assim sendo, continuará inglória esta nossa discussão: vocês, personificando a ciência, continuarão a chamar nomes esquisitos à espiritualidade e a colocá-la bem longe da ciência; e eu, leiga mas nem por isso acéfala, continuarei a achar que a ciência se isola, se compartimenta e se afasta de uma coligação (perdoem a piadinha!) que tem tudo para dar certo!

    • Cara Isabel

      É realmente inglória esta discussão quando a Isabel considera “pecado” aquilo que define a ciência. Porque a crítica aqui exposta feita por António Piedade centra-se naquilo que é rigoroso, racional e imparcial, ou seja, na ciência e no abuso que Luís Portela faz dela para justificar a sua crença.

      E mais uma vez, a ciência não esquece a consciência. Mas se não quer um estudo rigoroso, imparcial e racional sobre o que é a consciência, talvez não fique satisfeita com a investigação que tem sido feita no campo das neurociências. Com certeza encontrará outras “disciplinas” que não exijam tanta racionalidade e rigor por aí.

    • Desculpe Isabel, mas é absolutamente mentira que a ciência esqueça a consciência.
      Esse é um dos desafios mais interessantes de estudo para os etologistas, neurobiologistas e neurofisiologistas!
      Se estivesse a par da investigação e debates actuais, não diria tal coisa.

      No entanto, parece ter caído nas armadilhas “New Age”, que o Manuel Rosa Martins já mencionou: que misturam o imiscível e se aproveitam daquilo que não se sabe, mas que gostariam que fosse como eles imaginam. Sem qualquer evidência do que afirmam, recorrendo a palavras como “quântico”, “entrelaçamento” ou “nano”…

      Também não é verdade que a ciência seja compartimentada.
      Os cientistas podem ter especialidades (longe vai o tempo dos naturalistas e filósofos da natureza) mas, cada vez mais, se trabalha em equipas multidisciplinares!
      Basta seguir a literatura científica para se constatar esta afirmação.

  • Mas porquê entrar em discussões com alguém que diz que “a ciência peca pela rigorosidade, racionalidade e imparcialidade”? Se isto são “pecados”, o que serão virtudes?
    Que falta de paciência…

  • Lamento que não tenham abertura suficiente para outros pontos de vista. Lamento também a inflexibilidade e a sobranceria demonstrada perante coisas que obviamente desconhecem. E, finalmente, lamento que não saibam interpretar o que escrevi.

    As minhas desculpas por tê-los feito perder o vosso douto tempo.

    Atentamente,

    Isabel G

    • Cara Isabel,

      A ciência e os cépticos estão SEMPRE abertos a novas ideias.
      Desde que devidamente fundamentadas.
      As que aqui tentou expor, não o são, pelo que temos que as rebater com o conhecimento de que dispomos.

  • Nesta palestra, o neurocientista Steven Novella responde a todas as dúvidas lançadas pela Isabel G em relação à consciência.
    Vale a pena ver e perceber o que é ciência e o que não é ciência (e porquê):

  • Isabel G sofre precisamente do mal de que acusa os outros: falta de abertura suficiente para outros pontos de vista. Infelizmente, não é só ela…

    • Caro Tiago. Peço-lhe que faça um exercício. Imagine que em vez de Espiritismo, encontrava-se escrito naquele quadro Hinduísmo, Cristianismo ou Pastafarinismo e veja se os argumentos utilizados em suporte destes não podem ser os mesmos ou muito semelhantes, tendo em conta as devidas adaptações para cada conjunto de crenças. Depois analise os próprios argumentos utilizados com o auxílio deste guia e informe-se também sobre o que caracteriza realmente o método científico.

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