A verdade que “eles” não querem que nós vejamos

No seguimento do meu texto anterior sobre a hipotética conspiração dos chemtrails, gostaria de partilhar um fluxograma criado por Crispian Jago com o objectivo de nos ajudar a encontrar a Verdade™ que “eles” não querem que nós vejamos, um projecto que peca apenas por ser incompleto. Falta, por exemplo, aquela que é até hoje a minha conspiração favorita de todas – a conspiração fálica do aeroporto internacional de Denver. Uma lacuna compreensível tendo em conta a extrema facilidade com que surgem novas teorias – se vos faltar a perspicácia do teórico da conspiração podem sempre usar um gerador de conspirações online (basta recarregar a página para gerar uma nova), publicar um texto num blog e esperar que o Portugal Mundial o apanhe numa «aproximação quântica à informação». Ainda assim, este fluxograma inclui a maioria das conspirações mais populares e persistentes. Ora vejamos.

Crispian's Conspiracy Flowchart

Clicar para aumentar. Crédito Crispian Jago.

Sim, existem verdadeiras conspirações no mundo, e esse é apenas mais um motivo para se ser crítico das teorias da conspiração que ouvimos e lemos diariamente – enquanto se perde tempo com devaneios, não se presta atenção nas conspirações reais. Existem alguns sinais que indicam a baixa probabilidade de uma teoria da conspiração ser real, quantos mais tiver mais implausível esta se torna. Segundo Michael Shermer os sinais a que devemos estar atentos são:

  1. A prova da conspiração emerge supostamente de um padrão de “ligação de pontos” entre eventos que não precisam de estar causalmente conectados. Quando nenhuma evidência suporta estas conexões para além da alegação da conspiração, ou, quando as evidências encaixam igualmente bem noutras conexões causais – ou na aleatoriedade – a conspiração é provavelmente falsa.
  2. Os agentes por detrás do padrão conspiratório precisariam de poderes praticamente sobre-humanos para esta funcionar. As pessoas geralmente não são nem de longe tão poderosas como nós pensamos que elas são.
  3. A conspiração é complexa e a sua conclusão com êxito requer um grande número de elementos.
  4. Similarmente, a conspiração envolve um grande número de pessoas que teriam de permanecer em silêncio sobre os seus segredos. Quantas mais pessoas estiverem envolvidas, menos realista esta se torna.
  5. A conspiração engloba uma grande ambição de poder sobre uma nação, economia ou sistema político. Se sugerir o domínio mundial a teoria é ainda menos provável que seja verdade.
  6. A teoria da conspiração progride a partir de eventos menores que podem ser verdadeiros para eventos muito maiores e menos prováveis.
  7. A conspiração atribui significados pressagiosos e sinistros a eventos que são muito provavelmente inócuos.
  8. A teoria tende a misturar factos e especulações sem distinguir entre os dois e sem atribuir graus de probabilidade ou factualidade.
  9. O teórico é indiscriminadamente suspeito de todas as agências governamentais ou grupos privados, o que sugere uma incapacidade de visualizar diferenças entre verdadeiras e falsas conspirações.
  10. O teórico da conspiração recusa-se a considerar explicações alternativas, rejeitando todas as evidências contrárias e procurando claramente apenas evidências confirmatórias para suportar aquilo que ele determinou a priori ser a verdade.
Marco Filipe

Licenciado em Genética e Biotecnologia e mestre em Biotecnologia para as Ciências da Saúde. É colaborador da COMCEPT desde o início e o repórter n.º1 da PetaNews – a melhor agência de jornalismo alternativo e complementar do Universo.

3 Responstas a “A verdade que “eles” não querem que nós vejamos

  • Acompanho-te no favoritismo pelos falos de Denver :-)

  • Chiça, aí onde estão os presidentes podiam ter dito “governantes” em vez de “presidentes” e terem acrescentado o Francisco de Sá Carneiro, o Adelino Amaro da Costa, o Samora Machel e o Dominique Strauss-Kahn… Pelo menos os primeiros dois, já que (assumo) o criador do gráfico é português.

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