ComceptCon 2014: TERRA

Realizou-se no passado Sábado, 15 de Novembro, a quarta edição da ComceptCon.

Pela primeira vez, alargamos o horário para um dia completo e mudamos o local do encontro para a cidade do Porto.

O tema da ComceptCon deste ano foi “Terra – Fogo – Água – Ar: Quatro Elementos, Quatro Cientistas”.

E aqui fica o primeiro vídeo das quatro conferências do dia: TERRA.

Para este tema-elemento, o nosso convidado foi o biólogo Hugo Oliveira, do CIBIO (Universidade do Porto), e o tema da palestra/debate: “O fruto da terra: Benefícios e malefícios dos Organismos Geneticamente Modificados”.

O Hugo explicou-nos a ciência que está por trás da domesticação das plantas, falou-nos sobre a sua genética evolutiva e analisou as múltiplas vantagens e desvantagens das técnicas de transgenia (introdução de genes de uma espécie noutra). Abordou ainda os problemas ambientais, económicos e políticos associados ao cultivo de organismos geneticamente modificados. Seguiu-se um debate também muito elucidativo. Esperemos que este vídeo contribua para a clarificação deste tema que, na maior parte das vezes, levanta indignações tão acesas como ignorantes.

5 Responstas a “ComceptCon 2014: TERRA

  • Isto merece uma contra argumentação, como é lógico. Quando tiver tempo faço.

    • Não percebo porque acha lógico ser necessária uma contra-argumentação. Mas desde que respeite as regras desta casa e use evidências científicas, pode fazê-la.

      • Antes de mais, parabéns pela iniciativa “Terra – Fogo – Água – Ar: Quatro Elementos, Quatro Cientistas” da ComceptCon. Acho que a apresentação do biólogo Hugo Oliveira foi bastante equilibrada procurando apresentar os vários ponto de vista de um modo bastante imparcial. Gostei particularmente da parte inicial em que desmitifica/relativiza um pouco o conceito da mutação genética. Posto isto, do ponto de vista de um leigo como eu, acho que aqui e ali não seria injusto contra-argumentar:
        25:40 Não concordo com afirmação que produzir, por exemplo, milhares de hectares de milho bt em monocultura sem rotação cultural seja menos prejudicial que pulverizar bt. Parece-me evidente que as tais “super-pestes”, inimigos da cultura do milho, isto é, insectos consumidores da planta OGM, terão maior probabilidade de aparecerem por selecção natural se a fonte de “selecção” (chamemos-lhe assim) for um elemento que permanece no terreno 4/5 meses ano após ano.
        Pelo que sei o Bt não elimina todos os insectos mas apenas alguns ordens de insectos. Mas longe de mim promover o uso indiscriminado de Bt. Para ser justo penso que, de um modo geral, os agricultores biológicos/protecção integrada serão os que estarão mais conscientes das consequências do uso abusivo de insecticidas/pesticidas e promoção da biodiversidade.
        37:00 Não poria as coisas nesses termos. Todos estamos de acordo que no séc. XX, em particular depois das 2ª G.G., os rendimentos médio dos americanos aumentou bastante levando a que a proporção gasta com alimentação tenha diminuído. Isso não implica que as preocupações com a qualidade dos alimentos seja um não-assunto. Quanto se podia falar sobre isto… Ainda bem que a maioria dos americanos têm preocupações e ansiedades de “1º Mundo”. O raciocínio dos OGM como solução “urgente” para a fome mundial não me parece muito honesto e tem sido muitas vezes utilizado como atenuante dos potenciais malefícios desta tecnologia. Tal como o Hugo apontou os biofuels e produção animal são na realidade os sectores promotores da ineficiência energética.

        • Obrigada pelo seu comentário.
          Levanta dois pontos interessantes.
          Em relação ao segundo: pelo que tenho lido acerca deste tema, parece-me haver realmente uma correlação entre a oposição ao cultivo de plantas OGM (melhor dizendo, plantas transgénicas) e a abundância alimentar. Mas, é uma impressão minha, não tenho dados concretos (nem sei se essas estatísticas existem).
          E não é que as plantas transgénicas sejam uma solução urgente para a fome (nem creio que o Hugo tenha argumentado isso), mas algumas transgénicas podem ser soluções para zonas de cultivo difícil, em que os agricultores procuram desesperadamente um maior rendimento das plantas.

          • Também não tenho dados concretos, mas como o Hugo refere, na EU há uma restrição forte da utilização de plantas transgénicas e nem por isso se pode dizer que a produtividade seja baixa, bem pelo contrário. Assim talvez se possa inferir que nessa relação entre produtividade e oposição ao cultivo de plantas transgénicas, a correlação não implica necessariamente causalidade. Penso que a técnica (ou falta dela) será a causa de uma produtividade maior ou menor. Portanto argumentar que determinado país ou região com baixo índice de desenvolvimento não é auto-suficiente ao nível alimentar porque não introduziu plantas transgénicas no seu sistema, não é, na minha opinião, um raciocínio muito correcto. Coisas como infraestruturas básicas como barragens/condutas, uma agricultura mecanizada, informada e sustentável, estabilidade politico-social, por exemplo, têm uma influência bastante maior na produtividade que a introdução ou não de plantas transgénicas. Depois há questão da produtividade versus sustentabilidade…

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