Porquê explorar o Espaço?

Texto de Vera Gomes:

Este ano celebram-se os 50 anos da chegada do Homem à Lua. Não se trata só do facto que dois homens pisaram a Lua e dos esforços de uma nação para que isso acontecesse, mas também todos os avanços tecnológicos que emanaram das missões Apollo.

Créditos: WikiImages

Muitos questionam a necessidade ou os motivos de continuar a investir na exploração espacial nos dias que correm. Um dos argumentos mais utilizados é: “com tantos problemas para resolver na Terra, o dinheiro investido na exploração espacial seria melhor usado noutras coisas”. Será que é mesmo assim?

Cerca de 11% da economia da União Europeia depende directamente de sistemas de navegação por satélite. Uma disrupção causará problemas ou a falência total do sistema bancário, das redes de energia, transportes, telecomunicações, sistemas de segurança e defesa. Quando foi a última vez que pegaram num mapa em papel para se guiarem numa viagem em vez de usarem o GoogleMaps?

Os sistemas de observação da Terra têm, por exemplo, um contributo significativo na agricultura, na gestão florestas, na optimização das energias renováveis, ou na monitorização qualidade do ar. Na verdade, estes sistemas contribuem em cerca de 60% para o aumento da precisão da análise a poluentes na atmosfera; reduzem em 26% os custos dos serviços de gestão dos sistemas de irrigação de plantações agrícolas e aumentam em 5% a produção de quintas pesqueiras ao monitorizar o surgimento de algas tóxicas.

Créditos: Free-Photos

Ambos os sistemas, contribuem ainda para a redução da quantidade de pesticidas usadas na agricultura, na monitorização dos níveis de água e dos glaciares e na redução do consumo de combustíveis nos transportes.
Um estudo publicado em Janeiro de 2019, pelo Gabinete de Espaço Exterior das Nações Unidas (UNOOSA), identifica claramente de que forma o Espaço, e sistemas como o Galileo (navegação por satélite) e o Copernicus (observação da terra), contribuem para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Simonetta di Pippo, directora do UNOOSA é bastante peremptória: sem a ajuda do Espaço e da tecnologia espacial, será impossível atingir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável nos prazos a que nos propusemos!

Quanto à exploração espacial usando voos tripulados e possíveis idas a Marte por seres Humanos, a lógica não difere. Na verdade, por exemplo, devido à investigação feita sobre os efeitos da radiação espacial, desenvolveram-se (e desenvolvem-se ainda) tratamentos médicos para tumores e cancro. Ao desenvolver-se um sistema de reciclagem da urina no espaço para usar na Estação Espacial Internacional, criou-se o sistema de hemodiálise usado nos hospitais na Terra. Ao pesquisar novas formas de combustível para viajar entre planetas, descobrem-se novas fontes de energia e novas formas da mesma ser armazenada.

Por último, vejamos se de facto gastamos assim valores tão exorbitantes na exploração espacial. Os lucros do Facebook no último trimestre de 2018 (16.6 biliões de dólares) correspondem, aproximadamente, aos últimos 7 anos do orçamento do programa espacial da União Europeia (que inclui o Galileo e o Copernicus) que foi 12 biliões de euros. Com todo o retorno que recebemos, tanto financeiro como tecnológico, como em aplicações que usamos no nosso dia-a-dia, na protecção do ambiente e na luta contra as alterações climáticas, será que o dinheiro que usamos para investir no Espaço é assim tão mal gasto? Eu diria: seguramente que não! E vocês?

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