Teorias da Conspiração

Para um sábado em Julho com temperaturas acima dos 30° graus, a 5ª edição dos Cépticos com Vox foi um sucesso, já que batemos um recorde de participação! Agradecemos a todos os que apareceram e esperamos que a conversa tenha sido do vosso agrado.

Como é habitual, a conversa nunca se esgota num único encontro e desta vez, com este tema  em especial – as teorias de conspiração – muito ficou por falar e discutir. Cada teoria, em si, daria para uma sessão. Vale a pena, por isso, mencionar alguns dos aspectos que não foram falados e aqueles que foram abordados superficialmente.

De acordo com David Aaronovitch*, uma conspiração pode ser definida por “duas ou mais pessoas que planeiam uma acção secreta, ilegal ou imoral” e qualquer conspiração é uma teoria até que seja fundamentada. No entanto, o que pode definir uma teoria da conspiração, ainda de acordo com Aaronovitch, é a “atribuição de culpa a um agente sobre algo que possivelmente é acidental” ou ainda “a atribuição de culpa a uma acção secreta de um agente quando essa mesma acção pode ser mais razoavelmente explicada através da acção de outro”.

Assim, por exemplo, houve uma conspiração liderada por Bin Laden e os Taliban para executar a queda das torres gémeas a 11 de Setembro de 2012. Já as teorias da conspiração atribuem a culpa do ataque a uma acção deliberada pelo governo norte-americano com o propósito de tirar proveitos e aumentar a sua supremacia militar no mundo.

Importa também não confundir a origem ou causa de um determinado evento com o aproveitamento político que poderá ocorrer após esse mesmo evento. O exemplo que a Catarina Pereira ofereceu durante o encontro é excelente: Uma coisa é dizer que o Marquês de Pombal terá feito um complôt com deus de maneira a provocar o Terramoto de 1755, outra totalmente diferente, é afirmar que o Marquês de Pombal tirou proveito da tragédia para se afirmar politicamente.

De um modo geral, as teorias da conspiração requerem sempre um nível de ocultação extremo e implicam sempre uma rede cada vez maior de indivíduos que activamente pactuam com a acção. Quanto maior a rede de conspiracionistas, menos improvável a teoria deveria ser, mas na generalidade das teorias, a lógica é inversa: As pessoas que mais facilmente poderiam desmascarar uma conspiração fazem sempre parte do grupo conspirador. E se o nível de ocultação é extraordinário, é sempre curiosa a facilidade em ser descoberta por uns quantos indivíduos armados com um motor de busca.

Existem várias teorias da conspiração, tantas quanto a nossa imaginação permite. E como é difícil falar de todas elas, falámos por alto das mais conhecidas:

No top das teorias de conspiração mais absurdas está aquela que identifica uma série de elementos fálicos no Aeroporto de Denver, EUA. São mensagens satânicas…

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Muito ficou obviamente para discutir, muitas questões ficaram em aberto. Por exemplo, porque razão temos assistido ao aumento destas teorias da conspiração nos últimos anos? Uma profunda iliteracia científica? O nivelamento de todas as opiniões ao mesmo patamar, onde não se discrimina uma opinião informada e sustentada da desinformação? A desconfiança perante os governos e pela ciência? De que modo podemos identificar uma teoria da conspiração? E distingui-la de uma conspiração válida? 

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Os Cépticos com Vox vão fazer uma interrupção para férias. Voltaremos com outra edição em Setembro em data ainda a combinar. Se tiverem ideias/sugestões para um próximo tema, podem sugerir aqui nos comentários.

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.*David Aaronovitch, Voodoo Histories: The Role of the Conspiracy theory in shaping modern history, River Head Books, 2010

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