O Argumento Económico

Argumentar que estas coisas funcionam é o mesmo que dizer que os cientistas deixaram de fazer ciência e os capitalistas desistiram de fazer dinheiro.

The Economic Argument_xkcd1Duas das desculpas mais frequentes que ouvimos em defesa de determinada pseudociência são:

1) A pseudociência “X” não é aceite pela comunidade científica apenas por ser diferente e divergir da ortodoxia científica.

2) A pseudociência “Y” é rejeitada somente por não ser compreendida (e não pela falta de resultados reprodutíveis).

Quem defende tal coisa falha em compreender que os cientistas são recompensados não por manter a ortodoxia mas por explorarem o desconhecido e deitarem abaixo velhos paradigmas. Todos os anos são atribuídos vários prémios científicos, sendo o mais famoso o Nobel. Seria de pensar que um homeopata com provas genuínas da eficácia da homeopatia ganhasse de imediato o prémio Nobel da Física, Química e Medicina, áreas do conhecimento que têm de estar totalmente erradas se a homeopatia estivesse correcta.

Quem defende tal coisa, como o cartoon exemplifica, está ao mesmo tempo a argumentar que as empresas preferem ignorar ferramentas funcionais em vez de as explorarem até ao limite para gerar lucro. Porque será que nenhuma destas pseudociências está a ser completamente rentabilizada? Tal só acontece em casos pontuais em que os resultados reprodutíveis não são realmente vitais para o sucesso de um produto ou serviço, interessando mais a percepção (altamente falível) do consumidor pelo mesmo*. Desta forma, é possível gerar lucro com a astrologia descrevendo vagamente o futuro e personalidade de um indivíduo, mas não é possível ganhar dinheiro prevendo o comportamento da bolsa ou, na área da segurança, antecipando a ocorrência de crimes, acidentes e desastres naturais. É possível ganhar dinheiro a vender comprimidos de açúcar para “tratar” uma gripe em três semanas, mas não é possível erradicar a varíola e a poliomielite ou curar realmente qualquer tipo doença séria.

Se estas aspirantes ao título de ciência funcionassem como os seus promotores defendem, então só podemos concluir que vivemos num mundo onde os cientistas deixaram de fazer ciência e os capitalistas desistiram de fazer dinheiro.

_______________

*Mas nem isso aconteceria se as leis contra a fraude fossem levadas a sério.

Outros artigos
“Sem Limites” ou “Com Mazelas”?
João L. Monteiro
Cépticos no Museu… e Jardim
D. Barbosa
Nomeações para o Prémio Unicórnio Voador 2022
Comcept