Prémio Unicórnio Voador 2015

Vencedores do Prémio Unicórnio Voador 2015
O Unicórnio Voador. Crédito: Cláudia Barrocas
O Unicórnio Voador. Crédito: Cláudia Barrocas

O Prémio Unicórnio Voador – um prémio feliz para actuações infelizes – é uma distinção satírica que, por sugestão dos internautas, é concedida pela COMCEPT às personalidades ou entidades que durante o ano anterior tenham contribuído para a disseminação de pseudociência, superstição e outras formas de desinformação em três categorias distintas:

  • Grafonola – Para os meios de comunicação e os seus agentes (impressa, rádio, televisão, blogosfera).
  • Estrela cadente – Para as estrelas de televisão e do mundo artístico, desportivo ou social.
  • O Rei Vai Nu – Para todos os outros que façam ou contribuam para a propagação de alegações duvidosas sem provas ou contra elas.

Depois das fases de nomeação e votação, eis que chega o momento de anunciar os resultados finais. A revelação no dia 1 de Abril, Dia das Mentiras, prende-se não só com a carga humorística do prémio, mas também, com o seu objectivo mais sério e profundo – que é o de estimular a reflexão sobre a prevalência e influência da pseudociência, da superstição e da desinformação na nossa sociedade.

E os vencedores do ano de 2015 para cada categoria são:

Grafonola – Jornal i

Depois de uma série de peças completamente acríticas sobre a prática do exorcismo ([1], [2], [3], [4]), O Jornal i brindou-nos com mais um conjunto de artigos sobre a homeopatia ([1], [2], [3]). Os artigos promovem a clássica argumentação pró-homeopatia que vai desde a atenção selectiva de estudos científicos até razões como «a minha experiência diz-me que funciona», só que não; «funciona em animais», só que não; ou «há médicos que acreditam na homeopatia e isso serve de prova», só que não. Se dúvidas houvesse do objectivo destes artigos, o próprio director executivo, Vítor Rainho, admite no editorial a sua crença na homeopatia e na compatibilidade desta com a medicina moderna.

Estrela Cadente – Simone de Oliveira

Apanhada no fogo cruzado entre a Ordem dos Farmacêuticos e a empresa de suplementos Viva Melhor, Simone de Oliveira fez umas declarações interessantes à comunicação social. Se tem razão quando diz que “há produtos semelhantes anunciados por outros artistas”, é mais difícil de entender a alegação “são produtos naturais, as farmácias não gostam”. Talvez Simone não entre numa farmácia há muito tempo e não veja todos os produtos naturais e suplementos alimentares que geralmente se encontram à venda. Ou talvez tenha lido o nosso recurso educativo e aprendido algo sobre as melhores técnicas de marketing a aplicar.

O Rei Vai Nu – Instituições de ensino superior que pretendem lançar licenciaturas em terapias não-convencionais

Com a legislação das terapias não-convencionais em breve poderão ser reconhecidas licenciaturas para um conjunto de práticas que, como o David Marçal explica, “em comum têm o facto de não conseguirem apresentar provas da sua eficácia e segurança” precisando por isso de “legislação própria e regimes especiais”. O objectivo é óbvio, legitimar práticas sem fundamento científico sob o pretexto de garantir a sua qualidade, como se o facto de existirem “licenciaturas em engenharia de sabres de luz, ao estilo da Guerra das Estrelas” fizesse com que os sabres de luz funcionassem de verdade. As terapias ganham uma aura de legitimidade, as instituições de ensino superior uma nova fonte de propinas. Entre elas contam-se a Cooperativa De Ensino Superior Politécnico Universitário, Cruz Vermelha Portuguesa, Universidade Atlântica, Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches, Fundação Fernando Pessoa, Instituto Piaget, Instituto Politécnico de Portalegre e Instituto Politécnico do Porto.

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