Vacinas, Mercúrio e Autismo

O oncologista e blogger norte-americano David Gorski tem uma expressão para o ressurgimento de velhos mitos que ressuscitam após largos anos de obscuridade: Meme-Zombie.

O mesmo parece suceder com uma página na internet que regularmente ressuscita textos  escritos por outrem naquilo a que chama “uma aproximação quântica à informação”. Na passada 3ª feira, foi publicado um desses textos, “Casos de autismo baixam radicalmente com a retirada do mercúrio das vacinas“, uma tradução de outro, escrito em inglês. Como o texto original de 2006 indicava que se tratava da notícia sobre um estudo recente, não coube na cabeça de quem copiou e traduziu o texto fazer sequer uma alusão à data do estudo, dando a ideia que se tratava realmente algo recente*.

Não é, no entanto, a data da “notícia” que é o mais importante. O que realmente interessa é que este tipo de artigo só serve para provocar medo, espalhar mentiras e falsidades e incitar à não vacinação.

A “notícia” dá-nos conta que um estudo publicado numa revista científica demonstra que, ao contrário do que tem sido veiculado pelas entidades oficiais, o índice de autismo tem diminuído após a retirada do timerosal das vacinas.

Durante os anos 90 começou a circular nos Estados Unidos a ideia que as vacinas que continham o conservante timerosal causavam danos neurológicos nas crianças e que seria essa a causa do Transtorno do Espectro Autista. Após um longo debate, por decisão política, o timerosal foi retirado da maioria das vacinas (hoje em dia algumas vacinas contra a gripe continuam a usar este conservante, embora existam outras variantes sem esta substância).

O uso deste conservante nas vacinas é necessário para os casos em que as vacinas sejam armazenadas em recipientes multi-doses. Nestes casos, o acesso regular a estes recipientes podem constituir fontes de contaminação e daí que seja necessário um conservante de maneira a matar bactérias que possam contaminar as vacinas.[1] 

O timerosal é degradado no organismo em etilmercúrio – um derivado menos tóxico do mercúrio – e outra substância, o tiosalicilato. Antes da introdução nas vacinas este conservante foi testado várias vezes em animais e depois em adultos e com doses bastante superiores daquelas usadas nas vacinas. Após a introdução de timerosal nas vacinas, as infecções causadas por contaminação de vacinas diminuíram drasticamente. [1] [2]

No entanto, o número de vacinas nos planos nacionais de vacinação aumentou e com isso, aumentou também a quantidade de timerosal que as crianças recebiam. As normas de segurança que estabeleciam o que era uma dose aceitável de mercúrio reportavam-se ao metilmercúrio (o mercúrio existente, por exemplo, em várias espécies de peixe). 

Paul Offit esclarece a diferença, aparentemente insignificante de único grupo metil, através de uma analogia com o metanol – “a sua dose letal é de 0,07 gramas por Kg de massa corporal, o que quer dizer que meia colher de sopa de metanol é suficiente para provocar a morte de um indivíduo de 60 kg” – e o álcool etílico ou etanol – capaz de provocar ressacas.

Tendo em conta os perigos da contaminação por mercúrio e sem estudos, na altura, que pudessem avaliar o impacto do etilmercúrio dado a crianças, optou-se por uma medida de precaução, com suporte unicamente teórico e sem evidência de risco: retirar do mercado todas as vacinas que continham timerosal. 

Não foi uma decisão isenta de polémica, já que foi uma medida tomada apenas com base numa hipótese e parecia confirmar que as vacinas não eram seguras. Na altura representantes do CDC (centro de controlo e prevenção de doenças dos EUA) alertaram: “É possivel que muitas crianças nascidas nos anos 90 e que tenham desordens neurológicas de causa desconhecida, venham agora culpar o mercúrio nas vacinas pela sua doença.”[1]

Se o etilmercúrio fosse a causa da síndrome do autismo, seria de esperar, então, que a retirada deste conservante das vacinas tivesse impacto no número de diagnósticos de crianças com autismo. Mas tal não aconteceu. Os números da incidência de autismo têm continuado a aumentar, mesmo sem timerosal. Alguns dos estudos que analisaram esta questão podem ser consultados na lista de referências. 

E então este estudo de 2006 que diz exactamente o contrário? 

Para avaliarem o índice de ocorrência de autismo, Mark e David Geier recorreram aos dados da VAERS – Vaccine Adverse Event Reporting System – É um sistema que permite a recolha de informação de possíveis reacções adversas da vacinação.  É especialmente importante para monotorizar posíveis efeitos secundários e, após investigação desses casos, tomar as medidas necessárias para a minimização desses efeitos (que podem chegar à retirada do mercado de uma determinada vacina). Esta informação é fornecida voluntariamente por qualquer pessoa. E qualquer pessoa pode reportar qualquer incidente sem que haja pre-requisitos ou seja submetido a qualquer avaliação.

O sistema admite qualquer informação, até as mais absurdas, como por exemplo, um relatório indicando que uma vacina tinha transformado a pessoa no Incrível Hulk ou que outra tenha transformado uma menina na Mulher-Maravilha. [3]

É por essas razões que na página para aceder à informação esteja o seguinte alerta:

É importante notar que nenhuma relação de causa-efeito foi estabelecida em qualquer dos relatórios. A VAERS recolhe dados de qualquer incidente adverso acontecido após a vacinação independentemente de ser uma coincidência ou um verdadeiro efeito causado por uma vacina. Uma submissão de um incidente adverso não é sinónimo de documentação que a vacina causou esse incidente. [4]

No entanto, os autores ignoraram totalmente a recomendação desta entidade mencionando explicitamente que os dados deste sistema demonstram que a toma de vacinas com o conservante timerosal estão associados a um significante aumento de risco de perturbações no desenvolvimento. O que é errado, pois o facto de alguém reportar um incidente não é sinónimo que haja uma real relação.

O uso do sistema VAERS como suporte para pedidos de indemnizações por alegados efeitos das vacinas tem uma longa história [5] e será ser ingénuo demais julgar que essa situação era desconhecida dos autores, já que estes por várias vezes estiveram presentes nesses tribunais como consultores das famílias [6]. Quantos casos de famílias investidas em alcançar uma indemnização reportaram ao VAERS a incidência de problemas neurológicos após uma vacina?

Os autores usam também a diminuição das submissões de incidentes que ligam o autismo às vacinas como prova que houve uma quebra de reais efeitos neurológicos nas crianças. Uma outra hipótese, ignorada convenientemente pelos autores, poderia ser a retirada do timerosal das vacinas que teve o efeito de refrear os pais na atribuição da causa do autismo às vacinas.

A outra fonte usada pelos Geier é o CDDS – California Department of Developmental Services – um instituto estatal que proporciona serviço e apoio a indivíduos com deficiências de desenvolvimento. Essas deficiências incluem entre outras, autismo.

No relatório desta entidade de 2003 e no posterior de 2007 está explícito que a informação apresentada não deve ser usada para retirar conclusões válidas e científicas sobre a incidência ou prevalência do síndrome de Autismo na Califórnia. Os números de pessoas diagnosticadas com autismo reflectem contagens de casos e não constituem estudos epidemológicos.  As contagens destes casos são totais, ou seja, não é feita uma distinção entre casos antigos e novos casos. [7]

As análises estatísticas feitas pela dupla Geier, cruzando as duas bases de dados, são amplamente analisadas neste e neste post. É importante referir, que em todo o relatório, há contínuas referências ao aumento de casos de autismo reportados.

Os autores do estudo, Mark e David Geier, uma dupla de pai e filho são bem conhecidos do movimento anti-vacinação dos Estados Unidos, tendo ambos participado como consultores e testemunhas em casos judiciais que procuravam estabelecer uma ligação entre vacinas e danos neurológicos. Nem este é o único estudo que os Geier desenvolveram para tentar provar que essa relação é real. [8] 

O que talvez valha a pena mencionar é que ambos foram os primeiros a sugerir a terapia de Quelatação para curar o autismo, uma terapia potencialmente perigosa.  Esta dupla de médicos abriu diversas clínicas nos Estados Unidos com o intuito de promover tratamentos para o autismo, não só com quelatação, mas também usando doses altas de um inibidor hormonal que é, por vezes, usado para castrar criminosos sexuais. [9] [10]

Não é por isso de surpreender que Mark Geier tenha perdido a sua licença de médico em vários Estados Norte-americanos. [11]

O estudo foi publicado numa revista em open access e que não está indexada no PubMed, o que é, logo à partida, um sinal de alarme. Uma procura na internet dá-nos conta que esta revista pertence a Association of of American Physicians and Surgeons, uma associação ultra conservadora norte-americana que defende, entre outras coisas, a não intervenção do Estado em várias áreas da sociedade, entre elas na medicina, por exemplo. A revista é também conhecida pela publicação de estudos duvidosos, como por exemplo, que o aborto aumenta o risco de cancro na mama e que imigrantes ilegais introduziram doenças nos Estados Unidos. [12]

Chamo a atenção para a imagem aqui reproduzida. Nos finais do século XVIII e início do século XIX não havia maneira de espalhar desinformação e medo através de páginas na internet, nem facebook onde todos pudessem ter acesso à propaganda anti-vacinação. O método mais eficaz era através da sátira e de panfletos distribuídos de mão em mão. Notem que esta imagem critica a inoculação contra a varíola, um dos vírus mais mortíferos da nossa história e que desapareceu graças às vacinas.

James Gillray, The Cow-Pock—or—the Wonderful Effects of the New Inoculation! (1802)

James Gillray, The Cow-Pock—or—the Wonderful Effects of the New Inoculation! (1802)

A desinformação é perigosa e neste caso, irresponsável.

As vacinas salvam vidas.

*Após uma troca de comentários na página do Portugal Mundial no facebook, nos quais foram criticados o conteúdo e a forma como o artigo apresenta o estudo como sendo recente, o artigo foi alterado para surgir agora apenas a expressão “estudo” e não “novo estudo”. Contudo nos feeds ainda surge a versão original. (os comentários críticos na página do facebook foram apagados logo em seguida). 

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Críticas ao estudo:

Fontes

[1] OFFIT, Paul, Autism False Prophets, Kindle Edition, Columbia University Press, 2010

[2] Mercury, Vaccines, and Autism

[3] The Incredible Hulk Vaccine Side Effect: Or, Understanding VAERS

[4] VAERS – Guide to Interpreting VAERS Case Report Information

[5] How vaccine litigation distorts the VAERS database

[6] Patente na declaração de conflito de interesses no Estudo Early Downward Trends in Neurodevelopmental Disorders Following Removal of Thimerosal-Containing Vaccines

[7] AUTISTIC SPECTRUM DISORDERS – Changes In The California Caseload. An Update: 1999 Through 2002, p. 4 Caixa “Note To Readers”

[7a] AUTISTIC SPECTRUM DISORDERS – Changes in the California Caseload. An Update: June 1987 – June 2007

[8] New Study on Thimerosal and Neurodevelopmental Disorders: I. Scientific Fraud or Just Playing with Data?

[9] Chemical castration for autism: After three years, the mainstream media finally notices

[10] Mercury, Autism, and Chelation: A Recipe for Risk

[11] Controversial autism doctor Mark Geier loses licenses in Missouri, Illinois

[12] Vocal Physicians Group Renews Health Law Fight

Estudos sobre o Timerosal 

Vaccines and Autism: A Tale of Shifting Hypotheses – Revisão de vários estudos.

Thimerosal and the occurrence of autism: negative ecological evidence from Danish population-based data.

Thimerosal Exposure in Infants and Developmental Disorders: A Retrospective Cohort Study in the United Kingdom Does Not Support a Causal Association

Informação adicional em fontes portuguesas

Parecer sobre Vacinação – Ordem dos Enfermeiros
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26 Responstas a “Vacinas, Mercúrio e Autismo

    • Caro Basilista,

      Como deve ter percebido, a notícia que indica saiu em 2009. Desconheço os desenvolvimentos seguintes, não lhe posso dizer porque razão ou se realmente o governo alemão optou ou não por uma vacina anti-gripe sem adjuvantes.

      Talvez este artigo o possa ajudar

  • É típico as elites terem acesso a coisas especiais, desde quintas especiais até tecnologias suprimidas ao grande público, a internet está cheia de artigos sobre isso, a coisa nem é mais escondida, é totalmente pública!!! É lógico, a super elite tem boas razões para o fazer, já o vosso cepticismo é cada vez mais difícil de entender.

    Quintal da monarquia britânica:
    [LINK editado] Irrelevante para a discussão
    Quintas secretas onde os géneros alimentícios da super elite chinesa são gerados, de modo a evitar toda a poluição industrial em acumulação nos solos.
    Busque o minuto 8′:20”:
    [LINK Editado] irrelevante para a discussão.

    Já para nem falar nas palavras do Bill Gates em relação à utilidade das vacinas!!! É ele que através da sua Fundação investe e assume a sua excelência no controlo populacional. Eugenia meus amigos… talvez concordem com ela e bom, ok, se concordam todo cepticismo fica explicado.

    • Já não é a primeira vez que é avisado em relação aquilo que é ou não é permitido para uma conversa séria. Repare nas normas para comentar aqui: Estamos a discutir vacinas, não OGM. É uma técnica muito habitual para minar a conversa, mas não resulta aqui.

      Por acaso já se deu ao trabalho de verificar o que a fundação Melinda e Bill Gates se propõem a fazer? Ou só repete aquilo que lê em vídeos de proganda do Youtube?

      A fundação Gates, para além de contribuirem para as crianças poderem sobreviver para além da primeira infância através de programas de vacinação, proporciona também o acesso a água potável e asseguram o acesso gratuito ao planeamento familiar.

      Ter controle sobre o tamanho do agregado familiar, na gestão dos recursos da família e proporcionar a ESCOLHA às mulheres para terem os filhos que querem e quando querem é fundamental para o desenvolvimento das famílias mais carenciadas.

    • A sério? Deu-se pelo menos ao trabalho de ver as referências que citam? Se não viu, olhe para elas e confira com o post “vacinas: a verdade não oculta” é a mesma propaganda.

      A responsabilidade destas doenças estarem de volta é vossa.

  • Viva, só uma pequena correcção ao artigo: o Journal of American Physicians and Surgeons que aponta no vosso artigo é uma publicação Open Access (o journal é publicado online e é de acesso livre) e não Open Source (o código fonte não está disponível)

  • Querem fazer uma experiência científica? Peçam 100 vacinas à Fundação do Gates, daquelas que vão para o 3º Mundo e injectem-nas em vocês em menos de uma semana. Se estão prontos a colocar a vossa vida em causa para provar a vossa ciência, façam-no. Podem ser que fiquem curados da vossa cegueira.

    • E isso basta para o Basilista deixar de andar a espalhar desinformação criminosa? Ficaria satisfeito com o resultado e deixaria de engolir, sem verificar as fontes, essa proganda anti-vacinas?

      Algo me diz que isso não era suficiente para o convencer. Se não o convence o facto que é a quebra dos indíces de vacinação que é responsável pelo regresso de doenças que poderíam ter desaparecido, se tudo o que faz é colocar links de artigos sem se dar ao trabalho de verificar se o estão a enganar ou não, é porque está demasiado investido em espalhar medo e não lhe interessa o bem estar e a saúde das pessoas.

      Se quiser fazer uma experiência científica, então proponho esta:

      Vamos escolher um local no mundo onde certas doenças são endémicas e vamos garantir que o Basilista e outros adultos em consentimento não são vacinados contra elas.

      Os membros da COMCEPT, devidamente vacinados contra essas doenças, irão viajar em conjunto com o grupo não vacinado.

      Depois fazemos uma comparação entre os dois grupos e verificamos os resultados.

  • Se cumprissem o meu desafio, ficaria mais do que convencido, eu calar-me-ia para todo o sempre! Enfim, perdou-vos a visão estreita.

    • Porquê 100? Porque não 500? Ou o número de vacinas dada a cada criança?

      E são só as vacinas dadas pela Fundação Gates? Se sim porque é que anda a fazer propaganda contra todas as vacinas?

      Fazemos o seguinte, eu aceito o seu desafio de desperdiçar vacinas numa única pessoa, quando o Basilista se comprometer a doar o valor correspondente para a Unicef poder vacinar o mesmo número de crianças (100 ou 500 ou 1000)

  • Isso é uma proposta absolutamente indecente. A suposta caridade não apaga nem os actos nem os objectivos na base da criação da ONU e toda a hipocrisia das suas Instituições. Se é pró-eutanásia, pró-aborto, pró-governança mundial, pró-agenda 21, pró-pedofilia, etc… tudo bem, eu calo-me!!! Em caso contrário, estamos meramente perante cépticos presos ao cientificismo empirista. Só assim dá para entender o tempo investido a falar da ciência estabelecida que é cada vez mais uma história do obsoleto e uma ciência do Ontem. Deus nos valha!!! A revolução da Razão falhou. Insistir nesta linha, manipulando Emoção e Percepção só levará a humanidade à sua destruição. Fiquem bem!!!

    • Brincar com 100 doses de vacinas que podem salvar a vida a várias crianças a troco de uma aposta ridícula, é isso que o Basilista pretende com a sua proposta. Mais, quando anda a espalhar desinformação e terror que não são inconsequentes e para as quais não tem qualquer fundamento. E ainda tem o desplante de vir para aqui falar em ética.

  • Quando cheguei a este assunto pela primeira vez, pareceu-me estranho que a indústria farmacêutica tivesse retirado da composição das vacinas o timerosal sem que existisse uma prova definitiva sobre a ligação deste com o autismo ou outras desordens. Quanto mais aprofundava o tema, mais claro ficava para mim que isto só poderia acontecer se essa mesma indústria tivesse chegado a essas conclusões internamente, prevenindo futuros processos em tribunal se continuasse a usar o timerosal.

    Por outro lado, o governo dos EUA, que sempre negou a ligação entre autismo e vacinas, acabou por compensar mais de 83 famílias com crianças autistas, através do “Programa de Compensação por Lesões Causadas Por Vacinas” (VICP), admitindo desta forma a correlação entre autismo e as vacinas, sem que tivesse que afirmá-lo publicamente, pois isso significaria mais processos de indemnizações.

    Recentemente acabei por chegar a esta investigação da qual deixo o link, feita com base em dados verificáveis do governo dos EUA e que traz novas informações a este controverso debate sobre a ligação entre as vacinas e o autismo. A investigação revelou que um número substancial de crianças, cujos pais foram indemnizados por danos resultantes da vacinação, também tinham autismo.

    Nas palavras do Director Executivo da SafeMinds, Lyn Redwood: “Este estudo muda dramaticamente o debate sobre autismo e as vacinas. A questão não é mais saber se as vacinas podem causar o autismo? A resposta é clara! A questão agora é saber quantos casos de autismo as vacinas causaram e como podemos prevenir novos casos?”

    Deixo-vos aqui o link para o estudo, que sei que irão analisar com todo cuidado.
    http://digitalcommons.pace.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1681&context=pelr

    Cumprimentos

    • Caro Pedro

      A decisão de retirar o timerosal das vacinas não foi uma decisão da Indústria Farmacêutica, mas sim uma decisão política que se prendeu com o princípio de precaução. Na altura chegou a ser criticada por profissionais de saúde. No entanto, houve pessoas que afirmaram que os índices de autismo iriam baixar consideravelmente após a retirada do conservante. O que não veio a acontecer porque os diagnósticos de autismo têm continuado a aumentar, mesmo com a retirada do timerosal.

      O programa de compensação foi também uma decisão política de maneira a impedir que se deixasse de produzir vacinas porque, graças a um esforço de propaganda anti-vacinação, os pais de crianças com variadíssimas condições poderiam apresentar legalmente um pedido de indenização a um tribunal. Num país onde qualquer pessoa pode processar judicialmente um comerciante de um protector do pára-brisas de um carro porque o condutor se esqueceu de o retirar antes de começar a conduzir, vale a pena estabelecer limites até onde os processos judiciais podem ir. Para isso, foi criada uma tabela de possíveis danos e um fundo que serviria para compensar as famílias de crianças que se julgavam lesadas por vacinas – a atribuição é quase automática.

      Não é o governo dos EUA que nega a ligação entre o autismo e as vacinas. É a ciência, muitos desses estudos feitos fora dos EUA. E um facto que parece ter-lhe passado ao lado, é o facto do número de casos diagnosticados continuar a aumentar, mesmo não havendo timerosal.

      Lyn Redwood é a vice-presidente da Safeminds – um grupo anti-vacinação bem conhecido. O problema é no entanto o documento que nos deixa para ler. O link que indica não é um estudo, é um artigo de opinião com base legal.Parece ser recorrente, à falta de sustento científico, o recurso a tribunal. Tendo em conta o sistema judicial norte-americano, não é, de todo, o local mais adequado a estabelecer o que é um facto que possa ser fundamentado cientificamente.

      Os 83 casos que são mencionados apresentaram o que Lyn Redwood considera “condições parecidas com autismo” – “Because autistic disorder is defined only by an aggregation of symptoms, there is no meaningful distinction between the terms “autism” and “autism-­like symptoms.” p. 493. Temos, portanto, 83 casos de crianças que aparentam ter sintomas de autismo. Mas quantos realmente foram diagnosticados com autismo?

      Aconselho a que o Pedro consulte os estudos em hyperlink referenciados neste artigo.

      • Cara L. Abrantes,

        Em relação ao aumento dos casos parece que esse é um debate em aberto, pois muitos são os estudos que apontam no sentido contrário. Nestas coisas temos muitas vezes o problema da cor das lentes que usamos e isto é válido para os dois lados da questão. Por mais que um estudo indique que o resultado é azul, se as lentes dos nossos óculos forem vermelhas dificilmente iremos conseguir retirar dali um resultado fiável, pois a análise do mesmo estará sempre condicionada pelo resultado que pretendemos defender.

        Mas deixemos estas considerações mais subjectivas e vamos para coisas mais objectivas.

        O estudo em questão não é de Lyn Redwood. Ele apenas se pronunciou sobre o mesmo. Os autores do estudo estão na primeira página.

        Parece-lhe que o argumento de que não se trata de “autismo” mas de “sintomas parecidos com o autismo” é um argumento sério? Faço esta pergunta porque na tabela que se encontra a partir da página 505 está a descrição daquilo a que você chama de “sintomas parecidos com o autismo” e que são causados pela vacinação. Sintomas esses suficientemente graves por si só. Era como se eu tentasse provar que o medicamento x provoca a morte das pessoas e você argumentasse que não, que não é verdade, que ele apenas provoca a paralisia da pessoa para o resto da sua vida, ficando esta num estado vegetativo (sintoma parecido com a morte) E logo, como não é a morte, mas um sintoma parecido com a morte, então está tudo bem e nenhuma medida terá que ser tomada contra esse medicamente x

        No entanto, se continuar a ler o estudo (e sim, trata-se de um estudo, pois são analisados dados reais que podem ser verificados a partir dos quais se tiram conclusões.) verificará que nos quadros que estão a partir da página 516 que muitos desses casos são mesmo de autismo (letras B e C) e por isso o argumento de “sintomas parecidos com o autismo” e não de “autismo” também cai por terra à luz desse mesmo estudo, sendo que, mesmo que fossem apenas sintomas que indiciassem o autismo, já seriam suficientemente graves para que outras medidas fossem tomadas.

        Cumprimentos

        • Caro Pedro,

          “Em relação ao aumento dos casos parece que esse é um debate em aberto, pois muitos são os estudos que apontam no sentido contrário.”
          Que estudos?

          “O estudo em questão não é de Lyn Redwood. Ele apenas se pronunciou sobre o mesmo. Os autores do estudo estão na primeira página.”
          Que estudo? Se o documento que refere não se trata de um estudo, porque razão não fez referência a ele directamente e optou por referir a opinião de Lyn Redwood sobre uma questão judicial?

          “Parece-lhe que o argumento de que não se trata de “autismo” mas de “sintomas parecidos com o autismo” é um argumento sério? Faço esta pergunta porque na tabela que se encontra a partir da página 505 está a descrição daquilo a que você chama de “sintomas parecidos com o autismo” e que são causados pela vacinação”

          Tendo em conta que Lyn Redwood é uma activista anti-vacinas e tendo em conta que isto trata-se da opinião pessoal da senhora, parece-me que é bastante sério. Como é que posso averiguar se são sintomas parecidos ou que a autora considera que são semelhantes ao autismo? E de onde retira que que “são causados por vacinas”? Pode referenciar estudos clínicos, não opiniões, que esses sintomas são causados pelas vacinas? (e já agora porque é que usa o termo “vacinas” no geral, e não só provocados pelo timerosal)?

          “Era como se eu tentasse provar que o medicamento x provoca a morte das pessoas e você argumentasse que não, que não é verdade, que ele apenas provoca a paralisia da pessoa para o resto da sua vida, ficando esta num estado vegetativo (sintoma parecido com a morte) E logo, como não é a morte, mas um sintoma parecido com a morte, então está tudo bem e nenhuma medida terá que ser tomada contra esse medicamente x”

          Se conseguisse provar que um medicamento provoca a paralisia de uma pessoa, só poderíamos concluir que o medicamento em questão provoca paralisia. Nestes casos e noutros semelhantes não funcionamos com metáforas.

          Existem várias condições que podem ser explicados através de outras causas. Por exemplo, a febre pode ser causada por um conjunto de situações, desde infecções até à crise dos dentes em crianças. Atribuir um sintoma a uma única causa, sem que primeiro se estabeleça outras possíveis, parece-me um mau ponto de partida.

          “No entanto, se continuar a ler o estudo (e sim, trata-se de um estudo, pois são analisados dados reais que podem ser verificados a partir dos quais se tiram conclusões.) verificará que nos quadros que estão a partir da página 516 que muitos desses casos são mesmo de autismo (letras B e C)…”

          É uma opinião baseada em afirmações. Um estudo estabelece uma hipótese ao mesmo tempo que fornece dados que possam contrariar essa hipótese. Em momento algum, há indicação da metodologia, da hipótese e dos cuidados em estabelecer grupos de controlo que possam estabelecer uma avaliação comparativa. Não há estudos estatísticos, nem tão pouco referência a a casos específicos em que possamos estabelecer alguma referência aos casos analisados.

          Repare, no documento que cita, a opção pela expressão “Language suggesting autism or autism-like symptoms”. Onde ficamos? É apenas linguagem que sugere tratar-se de autismo, ou são sintomas que se parecem com autismo? Se realmente se tratasse de um estudo, este tipo de excepção estaria referenciado.

          Estas minhas perguntas não se tratam de perguntas retóricas. Gostaria realmente de saber se há razões para duvidar que o conservante timerosal (retirado das vacinas em 2010) fez aumentar os casos de diagnóstico de autismo ou não. Até agora, não apresentou um caso sólido que sustentasse uma dúvida saudável. E se realmente esse aumento não se verifica, porque razão se continua a dar atenção desmedida a pessoas empenhadas na campanha anti-vacinação

          Entretanto, gostaria de saber a sua opinião quanto aos Estudos citados no artigo.

          • »»e o documento que refere não se trata de um estudo, porque razão não fez referência a ele directamente e optou por referir a opinião de Lyn Redwood sobre uma questão judicial?««

            Uma questão judicial? Acha mesmo possível que eu entre num tribunal com o meu filho e diga que ele tem autismo por causa das vacinas e o tribunal diga que sim, que eu tenho toda a razão, toma lá x milhões de dólares? Então o tribunal, ou a acusação, não irá se munir de todos os argumentos possíveis, mais todos os estudos, e mais todos os especialistas para dizer que tal não é verdade? E se no fim de todo este processo o tribunal dá como provado a ligação entre a vacinação e o autismo, não porque o pai disse que assim era, mas pela análise clínica do caso nos mínimos detalhes, de tal forma que os pais são indemnizados pelos danos causados, isto significa que é tudo uma mistificação dos anti-vacinas? Estamos mesmo a falar a sério, aqui?

            O que me interessa ao entrar nesta conversa não é sequer o caso específico do timerosal. Acompanho há anos as discussões e contra-discussões em torno do assunto. Com argumentos válidos de parte a parte e pessoas extremamente inteligentes argumentado para cada um dos lados. O que me interessa aqui são factos objectivos como aqueles que são apresentados no estudo (insisto) em questão. Sim, porque os pais foram para tribunal não porque os filhos eram autistas, eles foram porque alegaram que a doença dos filhos era resultado das vacinas que receberam (será o timerosal, o alumínio, ou outro factor? É o menos importante no estudo em questão, mas sim a relação entre a vacina e a doença)

            Mas e como lhe disse anteriormente, por mais que os resultados mostrem o azul, se temos lentes vermelhas nunca iremos ver esse azul, e não é culpa sua, pois na verdade quando olha não vê o azul e logo nunca poderá dizer que realmente é azul a cor que ali está. Desse modo não vale a pena insistir neste assunto, pois o seu olhar sobre o documento que lhe enviei estará sempre condicionado pelos filtros que colocou e nunca irá ver neste aquilo que ali está.

            »»Tendo em conta que Lyn Redwood é uma activista anti-vacinas.««

            Vejo que o Lyn é para si como uma espécie de lobo-mau :-) Porque insiste em falar nele? O estudo em questão não foi desenvolvido por ninguém anti-vacinas, então não percamos tempo com fogos-de-artíficio e nos concentremos no que é essencial.

            »»e tendo em conta que isto trata-se da opinião pessoal da senhora, parece-me que é bastante sério.««

            Porque insiste na opinião pessoal? Não existe aqui nenhuma opinião pessoal. Existe um tribunal que indemniza 83 pais por ter dado como provado a ligação da doença dos filhos com as vacinas que eles receberam. Quer coisa mais concreta e objectiva?

            E nem o argumento de que as indemnizações foram dadas para não parar a venda das vacinas, ou criar algum tipo de obstrução legal na circulação das mesmas, cola, pois se assim fosse as sentenças não se arrastaria por anos com advogados a tentar desmontar as pretensões dos pais. Simplesmente teriam indemnizado de imediato, sem grandes demoras.

            »»E de onde retira que que “são causados por vacinas”? Pode referenciar estudos clínicos, não opiniões, que esses sintomas são causados pelas vacinas? ««

            Acha mesmo que um tribunal americano dá a sentença que deu sobre estes 83 casos sem ter como base estudos clínicos e o testemunho de médicos? Acha que foi apenas a opinião de alguém a influenciar a sentença… vamos ser sérios!

            Cumprimentos

          • Caro Pedro,

            “Uma questão judicial? Acha mesmo possível que eu entre num tribunal com o meu filho e diga que ele tem autismo por causa das vacinas e o tribunal diga que sim, que eu tenho toda a razão, toma lá x milhões de dólares? Então o tribunal, ou a acusação, não irá se munir de todos os argumentos possíveis, mais todos os estudos, e mais todos os especialistas para dizer que tal não é verdade?”

            Na verdade, não. O “Programa de Compensação por Lesões Causadas Por Vacinas” funciona, como já lhe tinha dito, através de uma tabela de danos que podem ser imputados às vacinas e a compensação é quase automática:

            “Compensation is virtually automatic for so-called “table injuries” (i.e., known injuries that science attributed to vaccines listed on the Vaccine Injury Table) within the correct time frame. Also, compensation can be awarded if plaintiffs can meet a standard of evidence showing a 51% or greater chance that the plaintiff was injured by the vaccine in question.”

            “In other words, the award of compensation does not mean that a scientific link was found, only that a court of law thinks it more likely than not that a specific set of health problems is due to vaccine injury, no more, no less.”

            Vaccine injury and compensation

            “O que me interessa ao entrar nesta conversa não é sequer o caso específico do timerosal.”
            Então porque é levantou o assunto? Se a hipótese do timerosal está afastada das causas do autismo, porque é que escreveu e deu-se ao trabalho de colocar o link desse relatório judicial?

            “Com argumentos válidos de parte a parte e pessoas extremamente inteligentes argumentado para cada um dos lados. O que me interessa aqui são factos objectivos como aqueles que são apresentados no estudo (insisto) em questão.”

            Está realmente interessado em avaliar argumentos sérios e factos objectivos? Então porque razão não consultou os estudos indicados no artigo que escrevi?

            “Vejo que o Lyn é para si como uma espécie de lobo-mau :-) Porque insiste em falar nele? O estudo em questão não foi desenvolvido por ninguém anti-vacinas, então não percamos tempo com fogos-de-artíficio e nos concentremos no que é essencial.”

            Não, Lyn Redwood não é o lobo mau. É apenas uma mulher dedicada a espalhar desinformação e por isso responsável por colocar a saúde de crianças em perigo. O relatório em questão foi elaborado por pessoas ligadas ao movimento anti-vacinação e com formação em Direito, não epidemiologia.

            “Existe um tribunal que indemniza 83 pais por ter dado como provado a ligação da doença dos filhos com as vacinas que eles receberam. Quer coisa mais concreta e objectiva?”
            Obviamente que sim, quero. Quero vários estudos científicos, com boas metodologias, englobando centenas ou milhares números de casos e que estabeleçam uma ligação causal entre as vacinas e o autismo. Como não existem esses estudos, uma prática cada vez mais habitual é recorrer aos tribunais e acho que nem preciso de referir os inúmeros casos onde os tribunais norte-americanos falharam.

            Eu estou a ser séria, o Pedro é que insiste em artefactos como distracção: Traz a questão do timerosal para a discussão, e agora que temos dados suficientes para afastar o timerosal, vai buscar o alumínio, ou são vacinas a mais, etc. E enquanto isso, desvia-se as atenções para as questões realmente importantes, por exemplo, para identificar as verdadeiras causas do autismo.

          • »»Na verdade, não. O “Programa de Compensação por Lesões Causadas Por Vacinas” funciona, como já lhe tinha dito, através de uma tabela de danos que podem ser imputados às vacinas e a compensação é quase automática.««

            Naturalmente que não é verdade, embora compreenda que esse argumento seja usado para desviar a atenção daquilo que na verdade acontece. Se assim fosse não seria necessário que os casos se arrastassem nos tribunais, nem que existissem advogados a defender a posição contrária. Bastaria um relatório médico das lesões da criança, uma comparação do mesmo com os danos dessa tabela e já está! A realidade, no entanto, é bem diferente. E se no final o tribunal decide a favor dos pais é porque ficou demonstrado a ligação de causa e efeito entre a vacina e a doença, não tem como ser de outra forma.

            »»porque é que escreveu e deu-se ao trabalho de colocar o link desse relatório judicial?««

            Mas não é isso que vocês pedem sempre que um assunto é discutido? Factos concretos e não apenas opiniões? Pois aqui estão esses factos, incontornáveis.

            »»Está realmente interessado em avaliar argumentos sérios e factos objectivos? Então porque razão não consultou os estudos indicados no artigo que escrevi?««

            Já os conhecia muito antes de aqui ter chegado. Como lhe disse este é um assunto que acompanho há muitos anos, e durante esse tempo pude testemunhar os argumentos e contra-argumentos de ambas as partes, sem fundamentalismos ou ideias fixas. No entanto, nenhum desses estudos contradiz nada daquilo que me trouxe aqui que foi o documento em questão.

            »» responsável por colocar a saúde de crianças em perigo.««

            Sabe, essa é uma história que ainda está por ser escrita, e aqui não ficaria apenas nas vacinas, mas também nos medicamentos em geral. Quem está a pôr as crianças em risco, afinal? Tenho um filho de nove anos que nunca foi vacinado nem toma medicamentos, e é uma criança extremamente saudável. Poderá pensar: olha, olha, mais um anti-vacinas. Não sou. Sou apenas alguém que defende a livre escolha, e uma pessoa só pode optar em liberdade quando lhe é permitido conhecer os dois lados da questão e não apenas um deles. Naturalmente que dizer que tenho uma criança que nunca foi vacinada e que é extremamente saudavel, por si só, não diz grande coisa. Muitos poderão ser os factores para isso, incluindo genéticos. Mas quando vejo os pais a atulharem os filhos de medicamentos porque estão com febre alta (basta um banho de água fria e assunto fica resolvido), ou de antibióticos porque estão com uma infecção, não posso deixar de pensar na irresponsabilidade de tais práticas, pois um dia os vírus tornar-se-ão mais resistentes e os antibióticos deixarão de funcionar, e como as crianças não foram habituadas a defenderem-se das doenças com base nos seus próprios recursos (sistema imunológico) ficarão totalmente expostas as essas doenças. O meu filho teve todas as doenças infantis para as quais, veja-se o absurdo, também existem vacinas (um excelente negócio para as farmacêuticas) E como resultado disso o seu sistema imunológico se fortaleceu, pois teve que combater a doença e resolver a situação por si mesmo, sem ajuda externa. O que eu vejo à minha volta são crianças frágeis, com sistemas imunológicos preguiçosos ou anestesiados, sempre dependentes de algo externo para combater a doença. Como será quando esse algo externo deixar de funcionar? Por isso insisto, dizendo uma vez mais: essa é uma história que ainda está para ser escrita.

            »»O relatório em questão foi elaborado por pessoas ligadas ao movimento anti-vacinação e com formação em Direito, não epidemiologia.««

            Eu compreendo que se use sistematicamente o termo “movimento anti-vacinação” para tentar descredibilizar qualquer estudo ou relatórios, mesmo quando o mesmo não foi desenvolvido por pessoas anti-vacinas. É uma diversão, uma fuga para frente, e assim não temos que analisar com detalhe e de forma objectiva esse mesmo estudo ou relatório. Deixo aqui a resposta de um dos autores do estudo a um artigo onde alguém tentava descredibilizar o mesmo usando o mesmo tipo de táctica:

            http://www.ebcala.org/unanswered-questions/response-to-anti-vaccine-proponents-claim-court-paid-for-autism-cases

            Seja como for, mesmo não sendo epidemiologistas, os resultados das sentenças foram certamente dados com base em dados concretos fornecidos por especialistas, e não pela simples comparação de sintomas com uma tabela, como referi anteriormente.

            »»Como não existem esses estudos,««

            Tem a certeza? Não serão esses estudos que estão na base das decisões dos tribunais? Poderá perguntar: então porque não são publicados? Pois, é uma boa questão. Há muitos interesses por detrás para que assim não seja. Que não sejamos ingénuos ou nos refugiemos nas teorias da conspiração. Imagine o que não seria a publicação de tais estudos… dezenas, senão mesmo centenas de milhares de pessoas a recorrerem aos tribunais para pedir indemnizações. Seria o caos total no sistema.

            »»E enquanto isso, desvia-se as atenções para as questões realmente importantes, por exemplo, para identificar as verdadeiras causas do autismo.««

            As causas do autismo são muitas, certamente, as vacinas são apenas uma delas. E não há a tentativa de desviar o assunto, mas apenas de analisar uma dessas causas que você se recusa a considerar, refugiando-se nos chavões habituais como “movimento anti-vacinas, fundamentalista, irresponsáveis, lobo mau que come a avozinha (passe a ironia), etc…”

            Cumprimentos

          • Caro Pedro

            “The purpose of the VICP was to establish a federal “no-fault” compensation program. The Congressional Committee Report noted that the ‘System is intended to be expeditious and fair’ and to compensate recognised vaccines injuries ‘without requiring the difficult individual determinations of causation of injury” p. 385 do documento

            Para mais informações, consulte o site:
            http://www.hrsa.gov/vaccinecompensation/fileclaim.html

            If the first symptom of these injuries/conditions occurs within the listed time periods, it is presumed that the vaccine was the cause of the injury or condition unless another cause is found.

            http://www.hrsa.gov/vaccinecompensation/vaccinetable.html

            O rigor da prova exigida é, assim, bastante baixo para uma família ser compensada. E nos casos que as famílias fazem um apelo a um tribunal civil, apresentam como danos, condições que são “autism like”. Sobre este assunto, aconselho a leitura deste artigo.

            “Não serão esses estudos que estão na base das decisões dos tribunais? Poderá perguntar: então porque não são publicados? Pois, é uma boa questão. Há muitos interesses por detrás para que assim não seja. Que não sejamos ingénuos ou nos refugiemos nas teorias da conspiração.”

            Realmente não percebo essa sua indecisão. Ou são publicados para servirem de apoio às decisões judiciais ou não são publicados, logo não podem ser apresentados em tribunal. Eu sei que a tentação de recorrer à teoria da conspiração – que é isso que o Pedro fez, embora não o queira admitir – é muito fácil porque tapa todos os buracos no raciocínio lógico. Mas vamos tentar seguir um mínimo de coerência.

            “Eu compreendo que se use sistematicamente o termo “movimento anti-vacinação” para tentar descredibilizar qualquer estudo ou relatórios, mesmo quando o mesmo não foi desenvolvido por pessoas anti-vacinas. É uma diversão, uma fuga para frente, e assim não temos que analisar com detalhe e de forma objectiva esse mesmo estudo ou relatório.”

            O Pedro apresentou-me algum estudo feito por pessoas que não são anti-vacinas? Não. Apresentou-me algum estudo que possa ser analisado? Não. Apresentou-me um relatório feito por um conjunto de advogados sobre uma decisão judicial.

            O Pedro diz que analisou os estudos, mas o único argumento que apresenta são os casos de compensação judicial. Não aponta falhas metodológicas que possam invalidar os resultados e não analisa de forma objectiva esses estudos científicos. O que o Pedro apresenta é uma certeza que as vacinas são a causa de autismo. E quando lhe peço provas dessa certeza, não tem grande coisa para apresentar para além da sua opinião.

            Os adultos são livres de tomarem as decisões que bem entendem para si próprios. Já quanto às crianças, entendo e espero bem que grande parte da sociedade assim o entenda, que elas têm direitos que se sobrepõem à vontade dos pais. É por isso que a decisão de não vacinar uma criança sem uma razão médica válida, não é só irresponsável como também é um potencial perigo para outras crianças.

            A História diz-nos exactamente o contrário das suas afirmações. E a “moda” ou tendência para não vacinar as crianças tem provocado mortes e surtos de doenças que estavam na eminência de desaparecer pelo menos na Europa.

            Já agora um pequeno reparo, o Pedro não sabe e talvez fosse melhor informar-se em fontes fidedignas: os antibióticos apenas resultam em infecções bacterianas e não virus.

          • »»Realmente não percebo essa sua indecisão. Ou são publicados para servirem de apoio à decisões judiciais ou não são publicados, logo não podem ser apresentados em tribunal.««

            Repare que para serem usados como prova em tribunal não têm que ser publicados. O tribunal analisa esses estudos, que ele mesmo solicita, e a partir dos mesmos delibera a sua decisão e depois os mesmos são arquivados sem virem a público.

            Quando os autores deste estudo pediram pelos relatórios em questão de forma a que os mesmos pudessem ser analisados para além dos resultados finais conhecidos a resposta que obteve foi aquela que se encontra na página 537-538 do estudo. Cada um faça o juízo que melhor lhe servir sobre esta resposta.

            »»O que o Pedro apresenta é uma certeza que as vacinas são a causa de autismo. E quando lhe peço provas dessa certeza, não tem grande coisa para apresentar para além da sua opinião.««

            Não é verdade. A minha posição é que as vacinas são uma das causas do autismo e não a causa do autismo.

            Insiste na opinião, e daqui não iremos sair :-) É como lhe disse com a metáfora das lentes. De nada serve insistir, pois nunca irá tirar daquele estudo aquilo que não quer ver. Mas o estudo é claro, não deixa dúvidas, pois 83 crianças com autismo, doença que não se encontra na lista que me enviou e que por isso não se enquadra dentro dos parâmetros do programa em questão, foram indemnizadas por se ter provado a causa e feito entre a vacina e a doença.

            »»É por isso que a decisão de não vacinar uma criança sem uma razão médica válida, não é só irresponsável como também é um potencial perigo para outras crianças.««

            Poder-me-ia cingir apenas à lista que me enviou, para ter argumentos mais que suficientes para não vacinar o meu filho. Embora nesta não esteja o autismo, o que ali está como consequência possível da vacinação já é suficientemente grave para tomar essa decisão. Para si jogar à roleta russa com a saúde de um filho é algo aceitável, para mim não é. Se não tiver uma certeza absoluta que é seguro não irei usar.

            É certo que a maioria das crianças não irá desenvolver nenhum tipo de patologia resultante do uso das vacinas, da mesma forma que é certo que a maioria das crianças que come manteiga de amendoim não irá desenvolver nenhum tipo de alergia. Mas existe um grupo mais restrito de crianças que se comerem manteiga de amendoim podem morrer. A diferença é que neste último caso existem exames que são feitos para verificar a alergia e assim os pais já podem saber com o que contar, enquanto nas vacinas esses exames, que já deveriam existir, não são desenvolvidos porque se insiste em não ver o óbvio, como este estudo demonstra. Perante isso, sem uma certeza absoluta, sem ter um instrumento que me permita logo à nascença, tal como se faz com a doença dos pezinhos, saber se o meu filho poderá desenvolver algum tipo de reacção às vacinas que poderão levar, no seu extremo, à morte, e no meio-termo a todo o tipo de deficiências neurológicas, prefiro não arriscar. Não jogo à roleta russa com a vida do meu filho, e aqui teria que devolver a irresponsabilidade com me acusa para quem está disposto a entrar nesse jogo.

            A vossa posição é clara e é extremista. Não estou a falar com cientistas mas com cépticos, o que é algo totalmente diferente. Pois um verdadeiro cientista não se pode dar ao luxo de ser céptico, só assim ele pode formular as hipóteses que depois poderão ser confirmadas ou rejeitadas através da aplicação do método científico. Um cientista céptico é uma verdadeira aberração e contrário à própria ciência, sendo geralmente aqueles que alimentam o paradigma vigente sem buscar novos horizontes. Mas para a história da ciência apenas ficam aqueles que tiveram a coragem de buscar esses horizontes e provar que os mesmos eram reais, sem se subordinarem ao status quo vigente, certos que as suas próprias certezas apenas o são dentro dos novos contextos criados, prontas para serem postas em causa pela genialidade, pela coragem e pela ousadia de todos os futuros investigadores.

            Encerro, assim, a minha participação neste espaço. Espero que não apaguem nada daquilo que aqui foi colocado, pois são elementos de reflexão para todos aqueles que por aqui passarem, de forma a que possam ver diferentes visões sobre um mesmo assunto e não apenas a oficial. E depois, em consciência, tomarem as suas decisões. É dessa liberdade que o mundo necessita e não dos extremismos dos pró-vacinas ou dos anti-vacinas, que fechados dentro das suas visões monolíticas nada de verdadeiramente novo e construtivo poderão trazer ao mundo.

            Com os meus melhores cumprimentos…
            Pedro

          • Caro Pedro

            “Repare que para serem usados como prova em tribunal não têm que ser publicados. O tribunal analisa esses estudos, que ele mesmo solicita, e a partir dos mesmos delibera a sua decisão e depois os mesmos são arquivados sem virem a público.”

            Não posso reparar porque não posso contar com a sua opinião. Um estudo – e vamos ser claros, um estudo que possa estabelecer uma ligação entre uma condição e uma vacina, tem necessariamente de ser um estudo clinico. Isso tem de estar publicado, caso contrário não é válido. Faz parte da avaliação científica submeter estudos à crítica dos pares.

            O que é diferente de documentação médica que é requerida para fazer o pedido de compensação. E essa documentação não estabelece relações causais entre uma coisa e outra.

            Os benefícios superam em larga escala os riscos das vacinas. Mas embora perceba que seja complicado para a maioria das pessoas pensar em termos estatísticos, tenho grande dificuldade em que se tome por aceitável, por exemplo, as probabilidades de um acidente de automóvel, mas evite-se uma vacina cuja probabilidade de causar uma reacção adversa é de longe mais reduzida. O mesmo acontece com a gravidade das doenças infecto-contagiosas.

            Para quem tem familiares que sofreram na pele as maleitas de doenças como o sarampo e outras que simplesmente não passaram do 1º ano de vida, acho simplesmente cruel vir falar em roleta russa.

            Não me conseguiu explicar de onde vem a sua certeza que são as vacinas a espoletar uma reacção adversa que resulta em autismo, no entanto, deixo aqui a indicação de um estudo que menciona uma possível causa, para futura referência:”our data suggest that maternal influenza infection was associated with a twofold increased risk of infantile autism, prolonged episodes of fever caused a threefold increased risk of infantile autism, and use of various antibiotics during pregnancy were potential risk factors for ASD/infantile autism.”

            O seu comentário sobre o cepticismo e a ciência demonstra que não entende o que é a ciência, nem tão pouco o processo científico. Toda a ciência tem de ser céptica, caso contrário nunca estará aberta a mudar de opinião ou sequer submeter as suas hipóteses a testes que as possam provar ou rejeitar. Não existem cientistas crédulos e se são crédulos, não são cientistas, são religiosos.

            As pessoas acima de tudo necessitam de estar informadas. E precisam de tomar consciência que é necessário fazer uma selecção entre o que é fidedigno e o que é desinformação, necessitam também de separar factos de meras opiniões mal sustentadas. E lamento dizer-lhe, mas tudo o que o Pedro disse até este momento não está sustentado em factos.

            Cumprimentos

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